Autor: Eduardo Fagundes

  • A Sustentabilidade e o Gerenciamento de Projetos

    A opção corporativa de ser uma organização sustentável é inevitável. As pressões dos consumidores e dos governos tornam essa opção imperativa e cria ameaças para a organização se não cumpridas, como perda de mercado e pesadas multas dos órgãos regulatórios. O processo de adoção de práticas socioambientais deve ser top-down (de cima para baixo) e deve refletir em todas as ações da organização. Isso afeta diretamente os projetos da empresa e altera o seu gerenciamento e métricas de desempenho.

    O conceito de sustentabilidade é sobre a harmonia entre a economia, a sociedade e o meio ambiente, criando a expressão “triple bottom line” ou “triple-P” (People, Planet, Profit). Em outras palavras, como obter “lucro” sem afetar os recursos naturais e sem causar impactos negativos às pessoas.

    A questão da responsabilidade social é tão importante que foi criada a norma ISO 26000 para dar transparência, accountability e princípios para os stakeholders. Os sete princípios estão sintetizados abaixo (fonte: INMETRO)

    1. Accountability: Ato de responsabilizar-se pelas consequências de suas ações e decisões, respondendo pelos seus impactos na sociedade, na economia e no meio ambiente, prestando contas aos órgãos de governança e demais partes interessadas declarando os seus erros e as medidas cabíveis para remediá-los.
    2. Transparência: Fornecer às partes interessadas de forma acessível, clara, compreensível e em prazos adequados todas as informações sobre os fatos que possam afetá-las.
    3. Comportamento ético: Agir de modo aceito como correto pela sociedade – com base nos valores da honestidade, equidade e integridade, perante as pessoas e a  natureza – e de forma consistente com as normas internacionais de comportamento.
    4. Respeito pelos interesses das partes interessadas (Stakeholders): Ouvir, considerar e responder aos interesses das pessoas ou grupos que tenham um interesse nas atividades da organização ou por ela possam ser afetados.
    5. Respeito pelo Estado de Direito: O ponto de partida mínimo da responsabilidade social é cumprir integralmente as leis do local onde está operando.
    6. Respeito pelas Normas Internacionais de Comportamento: Adotar prescrições de tratados e acordos internacionais favoráveis à responsabilidade social, mesmo que não que não haja obrigação legal.
    7. Direito aos humanos: Reconhecer a importância e a universalidade dos direitos humanos, cuidando para que as atividades da organização não os agridam direta ou indiretamente, zelando pelo ambiente econômico, social e natural que requerem.

    Comparando a sustentabilidade e o desenvolvimento de projetos observamos que existem diferenças significativas:

    Desenvolvimento SustentávelGerenciamento de Projetos
    Orientação ao longo prazo e ao curto prazoOrientação ao curto prazo
    No interesse desta geração e de futuras geraçõesNo interesse dos interessados no projeto (sponsor e stakeholders)
    Orientação ao ciclo de vidaOrientação à entrega e ao resultado
    Orientação a Pessoas, Planeta e LucroOrientação ao escopo, prazo e orçamento
    Ampliação da complexidadeRedução da complexidade

    Ainda existe muita discussão de como atingir um ponto de equilíbrio entre a responsabilidade socioambiental e o desenvolvimento de projetos nas organizações.

    • Contexto do projeto: Como que os princípios e aspectos de sustentabilidade influenciam no contexto social e organizacional do projeto? Qual o grau de influência no projeto?
    • Stakeholders: Como os princípios de sustentabilidade (Pessoas, Planeta e Lucro) podem beneficiar mais pessoas no projeto? Como evitar as pressões de ambientalistas e organizações de defesa dos direitos humanos?
    • Conteúdo do projeto: Como que os princípios de sustentabilidade irão influenciar nos resultados, nos objetivos e nas condições de sucesso do projeto?
    • Caso de negócio: Como que os princípios de sustentabilidade serão justificados para a aprovação do projeto? Por exemplo, o caso de negócio deverá considerar fatores não tangíveis relacionados com a sociedade e o meio ambiente.
    • O sucesso do projeto: Quais as métricas de sustentabilidade deverão ser incluídas para avaliar o sucesso do projeto, além das tradicionais métricas de lucro, produtividade e competitividade.
    • Materiais e compras: O uso de materiais recicláveis e a contratação de empresas e pessoas para o projeto devem seguir os princípios de sustentabilidade. Por exemplo, as matérias primas adquiridas de fornecedores não deverão conter resíduos tóxicos e não terem utilizado mão de obra infantil no processo de fabricação.
    • Relatórios de projeto: Os relatórios de acompanhamento do projeto devem incluir as métricas de controle dos princípios de sustentabilidade.
    • Gestão de riscos: Com a inclusão dos aspectos sociais e do meio ambiente no escopo e objetivo dos projetos, a análise de risco deve também abordar esses aspectos.
    • Equipe do projeto: Outra área de impacto da sustentabilidade é a organização do projeto e gerenciamento da equipe. Especialmente seus aspectos sociais de igualdade de oportunidades e desenvolvimento pessoal.
    • A aprendizagem organizacional: A última área de impacto da sustentabilidade é o grau em que a organização aprende com o projeto. Sustentabilidade reduz o desperdício. As organizações devem aprender como reduzir os resíduos, a energia, os recursos e materiais a partir dos erros dos projetos.

    A adoção de práticas de responsabilidade socioambiental nos projetos é fundamental para a transformação da empresa em uma organização sustentável. Entre os maiores desafios estão à mudança de visão dos empresários e do processo de mudança da cultura organizacional. Por outro lado, uma coisa é certa se sua empresa não incluir os princípios de sustentabilidade em sua operação os consumidores optarão no futuro pelo concorrente que adotou essas práticas mais cedo.

  • Incentivos do governo para startups só no papel. Oportunidade para as empresas.

    Os órgãos de financiamento em inovação no País sofrem do mesmo problema de muitas empresas tradicionais. Querem utilizar velhos procedimentos para os novos e ágeis ambientes de inovação. Isso, provavelmente, explica nosso baixo investimento em inovação tecnológica com relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Lembrando que colocar em prática o conhecimento é a melhor forma de aprendizado. As startups também funcionam como componente de aperfeiçoamento do conhecimento e desenvolve o empreendedorismo, invocando o espírito selvagem dos empresários tão criticado pelo governo.

    Para reduzir os riscos, a FINEP e FAPESP oferecem financiamento para pequenas empresas com mais de um ano de atividade e, além disso, depois da inscrição enfrentam um longo caminho na análise das propostas que pode levar quase um ano. Outro programa, o Start-Up Brasil, só abre editais nos meses de abril e outubro. Ou seja, se uma empresa perde um dos editais só no próximo período.

    Infelizmente, os mecanismos de governos não estão alinhados com a realidade do mercado globalizado e da agilidade que os projetos de inovação exigem.

    Entretanto, esse cenário abre oportunidades para as empresas já estabelecidas que têm visão e buscam crescimento usando inovação aberta. Normalmente, os investimentos em startups não são elevados e em caso de fracasso não afetam o desempenho geral da empresa. Por outro lado, um sucesso no empreendimento pode gerar lucros e crescimento excepcionais.

    Mas como viabilizar o “matching” (o encontro) entre as startups e as empresas interessadas em investir?

    Uma forma é as empresas incluírem em seus sites uma área para startups definindo as regras para a apresentação das propostas e garantindo a confidencialidade das informações.

    Outra forma é utilizar sites de inovação (como o efagundes.com) para anunciar a predisposição da empresa em investir em inovação e definindo quais as linhas tecnológicas preferenciais. A principal vantagem é o apoio prévio que as startups recebem dos consultores do site antes das propostas serem submetidas as empresas investidoras.

    Mais um forma é uso das associações de empresas para centralizar os serviços de “matching”. Neste caso, as associações devem definir regras bem claras para disputas entre os associados sobre uma startup. A vantagem do uso das associações é a possibilidade de incubação das startups durante um período para amadurecimento do negócio.

    Concluindo, existe um espaço enorme para as empresas já estabelecidas crescerem usando a inovação aberta apoio startups com riscos baixos. A questão é a vontade de vencer a inércia do dia-a-dia.

  • ef Nosso canal no Youtube ultrapassou 12.000 visitas/…

    Nosso canal no Youtube ultrapassou 12.000 visitas/mês. O curso de e-Commerce (1.176 pageviews) foi o mais acessado. ow.ly/kBHIq

  • Preciso incluir o financiamento no plano de negócios?

    Sim, incluir o financiamento e sua amortização no plano de negócios é obrigatório. Em muitos casos o que viabiliza um novo negócio é a forma de financiamento, o desembolso mensal para saldá-lo, taxa de juros e a carência para iniciar os pagamentos.

    Existem financiamentos do FINAME para máquinas e equipamentos nacionais com juros extremamente atraentes e de longos prazos para pagamento. O BNDES oferece planos de financiamento de 120 meses com 24 meses de carência (isso pode variar dependendo da conjuntura econômica).

    Quando você monta uma empresa é necessário estabelecer o capital social inicial. Esse capital, que pode incluir ativos como imóveis e outros bens, devem ser suficientes para aquisição da infraestrutura da empresa e capital de giro. Eventualmente, o empresário pode “emprestar” dinheiro para a empresa e depois se ressarcir.