Autor: Eduardo Fagundes

  • Município de Marin contra SAP e Delloitte

    O município de Marin localizado ao norte da cidade de São Francisco nos Estados Unidos está em guerra com a SAP e a Delloitte. O município entrou na justiça para reaver US$30 milhões gastos na implantação do ERP que não funciona de acordo com as expectativas iniciais. Esse é o resultado típico de um planejamento equivocado, tanto do integrador como do contratante. O sucesso de um projeto de ERP só acontece se a organização estiver aberta a aceitar mudanças nos seus processos e tiver um incondicional apoio da alta direção. Algumas informações indicam que os gestores do município transferiram toda a responsabilidade de implantação para a Delloitte, mas não autoridade. Essa situação é típica nas organizações, a TI tem a responsabilidade pela implantação, mas não a autoridade. Isso significa que as áreas de negócios não se obrigam a mudar seus processos. Como os ERP têm funções padronizadas à adaptação significa um grande esforço ou, simplesmente, é impossível. Nesses casos, invariavelmente, os projetos geram insatisfação dos principais interessados. No caso do município de Marin a decisão foi de substituir o SAP por outro sistema. Imaginem o desperdício de tempo e dinheiro. A Ford em 2004 cancelou o projeto Everest de US$300 milhões com a Oracle na área de compras. A implantação não atendeu as expectativas e os milhares de usuários do ERP tiveram que voltar a usar o sistema antigo.

    Para evitar essas situações as organizações devem ser mais cuidadosas na avalição de suas próprias capacidades para adotar um ERP de mercado. Nesta avaliação deve ser considerado se a organização está disposta a mudar seus atuais processos e se, principalmente, as pessoas aceitam o desafio da mudança. Se essa condição não for aceita não vá em frente. Uma alternativa é trocar os principais opositores.

    As consultorias de sistemas devem se esforçar mais para explicar as transformações que acontecerão e alertar para as principais armadilhas do projeto. O que ocorre, normalmente, é um excesso de otimismo na fase de vendas.

    Para evitar situações semelhantes uma analise detalhada deve ser feita pela organização antes de contratar um ERP:

    • Calcular cuidadosamente os custos do projeto e, baseado na experiência de consultores independentes, as contingências em projetos de portes semelhantes.
    • Calcular os benefícios do projeto e estabelecer um “contrato” com os principais executivos para que os benefícios sejam atingidos com a implantação do novo sistema;
    • Identificar quais os impactos das mudanças nos processos de negócios atuais;
    • Estimar um prazo realista para a implantação do novo sistema;
    • Avaliar cuidadosamente a qualidade dos dados de migração;
    • Avaliar a implantação de sistemas especializados ao invés de uma solução integrada;
    • Estimar os custos de manutenção do novo sistema;
    • Estabelecer como serão avaliados os riscos durante a implantação;
    • Definir um modelo de governança robusto para o projeto;
    • Avaliar se existem pessoas habilitadas para conduzir a implantação do projeto;
    • Definir como serão as interfaces com outros sistemas da organização;
    • Selecionar cuidadosamente o diretor do projeto;
    • Delegar autoridade para o diretor do projeto, não apenas a responsabilidade;
    • Definir claramente os objetivos do projeto e não gerar muitas expectativas aos interessados;
    • Assegurar que a alta direção está incondicionalmente empenha no sucesso do projeto.

    A implantação de um ERP é muito mais que um novo sistema de TI, um ERP é um desafio de transformação de negócios da organização. Só embarque se estiver preparado.

  • O que o Ford Focus e o HP Proliant DL385 G7 têm em comum?

    O que o Ford Focus 2012 e o servidor HP Proliant DL385 G7 têm em comum? Conservação de energia.

    O novo Ford Focus elétrico estréia no final de 2011 nos Estados Unidos e em 2012 na Europa. O carro será alimentado por um sistema de bateria de lítio-íon com um método de resfriamento liquido para manter a bateria dentro de determinados parâmetros para prolongar a vida útil da bateria. Com isso, espera-se rodar mais de 160 quilômetros sem precisar recarregar a bateria. A Ford está desenvolvendo mais cinco veículos elétricos para lançamento nos próximos três anos. A Ford Transit Connect elétrica, uma pequena van comercial está prevista para o final do ano nos Estados Unidos.

    Ford Focus elétrico e servidor HP

    A conservação de energia é critica tanto para carros quanto para computadores. O novo servidor da HP ProLiant DL385 G7 com processador AMD Opteron 6100 economiza até 96% de energia. É possível consolidar até 23 servidores em um só. Alguns cálculos mostram que o payback pode ser de dois meses. Equipamentos mais potentes e com menor consumo. Estamos chegando numa era de poder de processamento quase ilimitado.

  • Samsung Galaxy Tab

    A Samsung lançou um novo Galaxy Tab com tela touchscreen de 7 polegadas 1024 x 600, menor que o iPad da Apple. O novo table tem o sistema operacional Android 2.2, um processador Cortex de 1.06GHz, 512 MB de memória, Quad-band GMS e tri-band HSDPA. Possui duas câmeras, uma com 3 megapixel com flash na parte de trás e uma frontal de 1,3 megapixel. A bateria suporta até 7 horas de reprodução de filmes. Tem GPS e memória flash de 16 ou 32GB.

    Samsung Galaxy Tab

    O table da Samsung concorre diretamente com o iPad e outros que vem na mesma linha. A escolha será mais pela emoção para a maioria das pessoas. Existem no mercado vários sistemas operacionais, entre eles: iPhone OS, Android, Windows Phone, Blackberry OS e Linux. O iPhone OS e Blackberry OS executam em plataformas proprietárias que oferecem as vantagens de máximo desempenho do hardware. Os sistemas operacionais têm a vantagem de operar em hardwares de múltiplos fornecedores e, consequentemente, permitir inovações constantes. Isso é atraente para os desenvolvedores de software que podem produzir mais. Embora exista o risco de seus programas não funcionarem com bom desempenho em todos os hardwares. Do ponto de vista profissional, a escolha deve ser técnica envolvendo aspectos de compatibilidade com os sistemas utilizados pela empresa e segurança. A escolha deve ser rápida porque em pouco tempo os PCs e notebooks serão a segunda opção de acesso aos dados corporativos.

  • Maturidade das Empresas de Software

    Para o setor de software no Brasil ser mais competitivo é fundamental que as empresas atinjam níveis de maturidade compatíveis com o mercado globalizado. Para o desenvolvimento de software existem normas internacionais que definem as melhores práticas através de estruturas e processos. As normas ISO/IEC 12.207 e ISO/IEC 15.504 definem os processos, propósitos, resultados, capacidade e requisitos de avaliação. O modelo CMMi segue a mesma linha definindo os níveis de maturidade de 2 a 5. Para os grandes exportadores de software devem atingir níveis de maturidade CMMi 4 e 5 para serem competitivos globalmente, independente do investimento a ser realizado. As pequenas empresas de software que representam 99% do setor devem no mínimo atingir o nível 3 do CMMi para serem competitivas no mercado local. Entretanto, para as pequenas e médias empresas o investimento em certificação é extremamente critico em um cenário onde cerca de 50% delas não ultrapassam 5 anos de vida. Por outro lado, o efeito China tem feito as empresas em geral buscarem preços mais competitivos e forçam os fornecedores a trabalharem com margens pequenas, inviabilizando investimentos em certificações. Nesse ponto entra o papel do Estado em fomentar o crescimento e aperfeiçoamento das empresas para garantir o crescimento sustentável do País. Dentro dessa linha foi criado o MPS-BR, um projeto que desenvolveu um modelo de referência nacional para a Melhoria de Processos de Software (MR-MPS) voltado para a realidade das empresas nacionais. O projeto é liderado pela Softex e apoiado pelo Governo e Universidades.

    O MPS-BR fornece uma visão geral sobre os demais guias que apóiam os processos de avaliação e de aquisição. Seus 7 níveis de maturidade cobrem processos com propósitos e capacidade com atributos orientados a resultados. Segue a descrição dos níveis do MPS-BR:

    A – Inovação e implantação na organização; análise e resolução de causas.

    B – Desempenho do processo organizacional; gerencia quantitativa do projeto.

    C – Análise de decisão e resolução; gerencia de risco.

    D – Desenvolvimento de requisitos; solução técnica; integração de produto; instalação do produto; liberação do produto; verificação e validação.

    E – Treinamento; avaliação de melhoria do processo organizacional; definição do processo organizacional; adaptação dos processos para a gerência do projeto.

    F – Medição; gerencia de configuração; aquisição; garantia de qualidade.

    G – Gerencia de requisitos e gerencia de projetos.

    O modelo pode ser relacionado com os níveis de maturidade do CMMi com mostra a figura abaixo.

    MPS-Br x CMMi

    Para fomentar o uso do MPS-BR é importante a participação do Governo definindo linhas de financiamento e orientado as empresas estatais a solicitarem certificação das empresas de software em seus editais de contratação após um período de maturação do mercado.

    O processo de certificação das empresas de software é realizado por agentes credenciados da Softex dentro de critérios detalhados descritos no guia de avaliação.

    A adoção de uma metodologia certificada é importante para elevar os níveis de maturidade das empresas e, essencial, para atingir o objetivo de elevar a participação do setor no PIB nacional de 3,5% para 5,3% até 2020. Atingir níveis de maturidade mais elevados significa investimento e compromisso das empresas. A sofisticação dos processos exigirá pessoal qualificado e aumento da estrutura organizacional. O treinamento é parte importante nesse processo.