Skype e WhatsApp transformaram o modelo de negócios de telecomunicações

No dia 2 de fevereiro de 2016, o WhatsApp atingiu a marca de 1 bilhão de usuários. Em setembro de 2015 tinha reportado 900 milhões de usuários ativos, o que significa a adesão de 100 milhões de usuários em quatro meses. O Skype reporta 600 milhões de usuários e 300 milhões de usuários ativos por mês com 34 milhões de usuários concorrentes (agosto de 2015). O Skype foi adquirido pela Microsoft em maio de 2011 por US$8.5 bilhões e o WhatsApp foi comprado pelo Facebook em fevereiro de 2014 por US$19 bilhões, sendo considerada a maior transação de venture capital até agora.

O Skype e WhatsApp têm algumas características comuns. Primeiro, ambos são aplicações “over-the-top” (OTT), ou seja, utilizam a infraestrutura da Internet para seus serviços. Não pagam nada por isso e pelo sucesso de seus produtos exigem mais recursos dos provedores de Internet. O WhatsApp vai mais longe, usa o número de telefone celular da operadora de telefonia móvel como endereço para suas conexões.

O Skype, quebrou o paradigma das conexões de longas distâncias, não apenas por estabelecer conexões peer-to-peer entre os usuários do serviço via Internet, mas estabelecendo conexões telefônicas tradicionais na última milha através do serviço Skype Out para telefones convencionais, reduzindo drasticamente os custos de telecomunicações.

Outra semelhança é o fato que foram serviços começaram de forma gratuita, o Skype na modalidade freemium com serviços pagos do Skype Out/Skype In e o WhatsApp gratuito no primeiro ano e depois cobrando US$0,99 por ano. Em 2016, o serviço do WhatsApp passou a ser gratuito e anunciado novos serviços para o mercado corporativo.

Ambos foram lançados com mínimos recursos de marketing valendo-se da divulgação boca-a-boca, reduzindo os riscos e tendo a oportunidade de aperfeiçoar o produto.

O que espanta é a crescente velocidade de adoção desses serviços. É verdade que impulsionados mais recentemente pelos gigantes que adquiriram as empresas. O Facebook, por exemplo, com 1,44 bilhões de usuários ativos (março, 2015).

Assim como o Skype que, literalmente, acabou com as ligações telefônicas de longas distâncias no mundo, o WhatsApp está acabando com o negócio de telefonia móvel tradicional e, felizmente, o alto custo de chamadas entre diferentes operadoras.

Com a expansão de pontos de WiFi em locais públicos, muitas vezes de forma gratuita, a tendência é desaparecer o serviço de telefonia móvel tradicional. Provavelmente, isso afetará a maioria dos planos de negócio e taxas de retorno de investimento da maioria das operadoras de telefonia móvel. O negócio, por enquanto, é tentar resistir colocando barreiras regulatórias, acusando os serviços de piratas e se preparando para o fim. A mesma coisa aconteceu com o Skype no passado.

Como lição, estamos vendo que os nossos modelos de negócios estão cada vez mais vulneráveis a novos serviços, principalmente, que utilizam tecnologia digital. Foi-se a época de pesados investimentos iniciais de lançamento de novos produtos, implicando em grandes riscos para as empresas. O negócio é experimentar e desenvolver planos de negócios com ciclos de produto cada vez menores.

Novos tempos, implicam novas atitudes.

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