Autor: Eduardo Fagundes

  • Computação cognitiva e IoT: Digitalize-se ou morra

    Para aqueles que ainda não se deram conta da nova onda dos negócios. Estamos em uma nova era de tecnologia que está impactando todos os negócios: computação cognitiva, Internet of Things (IoT) e robótica. Para os fãs de Guerra nas Estrelas é a concretização de um sonho.

    Na abertura da CES 2016, Consumers Electronics Show, a CEO da IBM,  Ginni Rometty, apresentou as iniciativas da IBM e de três parceiros (Under Armour, Medtronic e SoftBank) na área de computação cognitiva, IoT e robótica. Enfatizou a importância de um ecossistema, incluindo cloud computing, IoT e inteligência artificial. O Watson, um Software as a Service, de computação cognitiva que pode se integrar a várias aplicações de empresas através de API (Application Program Interface).

    Rometty começou explicando o impacto da computação cognitiva nos negócios. Disse que a IBM está adquirindo várias empresas, entre elas a empresa de previsão do tempo, The Weather Company (o canal de televisão não foi incluído no negócio). A ideia é incluir informações de milhares de dispositivos IoT e outros parâmetros na análise do tempo utilizando computação cognitiva, através do Watson, para previsões de tempo com muito mais precisão.

    Um dos convidados, o CEO da Under Armour, Kevin Plank, mostrou o impacto da computação cognitiva no monitoramento de exercícios físicos e acompanhamento e histórico da saúde das pessoas. Coletando informações de milhões de usuários do software Record by Under Armour, é possível melhor a performance das atividades físicas, podendo até substituir os personal trainers.

    Outro convidado, o CEO da Medtronic, Omar Ishrak, mostrou que com dispositivos de IoT e o Watson fazendo analises remotas de amostras de sangue é possível detectar um caso extremo de saúde com até três horas de antecedência. Um aplicativo pode indicar para o usuários quais as comidas que pode ou não comer em um restaurante, baseado no histórico recente do usuários. A revolução disso é impressionante no acompanhamento de pacientes. Com certeza, se aplicado ao setor público de saúde, pode reduzir muito os custos do governo. Os planos de saúde privados também podem se beneficiar com o acompanhamento em tempo real de seus segurados e agindo para evitar tratamentos mais caros.

    O CEO da Softbank Robotics, Kenichi Yoshida-san, apresentou o robô Pepper que utiliza a tecnologia de computação cognitiva do Watson. O Softbank está trabalhando com a Nestle e o banco japonês Mizuho para atendimento a clientes. Quando os clientes chegam nas lojas ou nas agencias do banco são recepcionadas pelo Pepper que presta o primeiro atendimento. Segundo Yoshida-san, a interação com um robô é melhor que um aplicativo, pois estabelece um engajamento do cliente.

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    Um dado curioso é que a Softbank está ensinando o Pepper a pensar em japonês. Assim como o Bradesco está ensinando o Watson a pensar como os brasileiros (sem piadas por favor).

    O mais interessante é que todo esse poder de computação pode ser contratado como serviços e integrado a aplicações através de APIs. A IBM tem uma plataforma de desenvolvimento rápido de aplicativos móveis chamado Bluemix. Isso permite que, literalmente, qualquer empresa possa digitalizar seus serviços utilizando computação cognitiva e dispositivos IoT para uma nova geração de negócios. Veja a apresentação da IBM.

    Não tem jeito. Ou as empresas digitalizam seus produtos ou morrem. Não estou falando em automatizar processos internos através de ERPs, isso já foi. Alias, deixem de investir nesse negócio. Usem softwares com processos padrão de mercado em ambientes cloud computing: mais barato, mais seguro e em conformidade com a legislação local.

    Invista em digitalizar seus produtos. Se a Ford pode transformar seu negócio de carros para um negócio de mobilidade, porque você não pode transformar seus produtos?

    Parece que as empresas centenárias com IBM e Ford estão garantindo seu lugar para os próximos anos. E a sua empresa?

  • A era dos carros autônomos e compartilhados

    O anúncio de negócios da Ford com a Amazon e a DJI para a digitalização dos carros e integração com dispositivos domésticos e drones mostra que o mundo está mudando. A Ford entende que tem que sair do negócio de “carros” e entrar no negócio de “mobilidade”. Ela já lançou uma linha de bicicletas. A GM já está investindo em um serviço similar ao Uber.

    Um dos projetos com a chinesa DJI é integrar informações de drones com o motorista em áreas de difícil acesso. O projeto usando uma F-150, um drone sobrevoa uma área desconhecida e indica para o motorista qual o melhor caminho a seguir.

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    A mudança do paradigma de mobilidade já era percebida a tempos, o Uber é uma das ondas dessa mudança. O serviço de compartilhamento de veículos Zipcar já existe nos Estados Unidos há muito tempo, um dos percussores desse novo conceito.

    As montadoras já estão sentido a redução de vendas de carros e a mudança do conceito de “possuir” um carro. Os jovens não estão mais dispostos a investir seus salários em “aço” para ficar a maior parte do tempo parado. O conceito é contratar um serviço de mobilidade confortável e barato. O Uber se encaixa perfeitamente dentro desse conceito. Se quiserem algo mais pessoal podem alugar um carro, escolhendo o tipo, tamanho e outras características que se adequem para aquela viagem especifica.

    Essa mudança de conceito traz profundas consequências nas cidades e devem ser tratadas hoje. Os planos diretores das cidades que contemplam novas avenidas e viadutos devem ser reconsiderados.  Se a tendência é reduzir o número de carros na rua, não há necessidade de investir na ampliação da malha viária para carros, e sim investir em transportes públicos e incentivos a bairros inteligentes, onde as pessoas moram perto do trabalho.

    Mark Fields, CEO da Ford, anunciou na CES 2016 que a integração de sua solução software Ford SmartDeviceLink com Amazon. O grande desafio é criar uma plataforma que permita a integração da maioria das funções do carro. Uma delas é permitir que os motoristas possam controlar seus carros remotamente.

    A Ford anunciou que a Toyota começará a usar o Ford SmartDeviceLink e espera que outras rivais façam o mesmo. A Ford está em discussões com a Honda, Mazda e Subaru que podem considerar adotar a plataforma.

  • Drones autônomos para passageiros

    Ainda estamos discutindo a regulamentação dos drones e carros autônomos e já estão lançando um drone autônomo para um único passageiro. A chinesa (eles estão em todas) EHang anunciou um veículo autônomo chamado 184 que deverá ser lançado em um futuro próximo. A estimativa de custo deve ser entre US$300.000 a US$400.000. A ideia é comercializar o veículo daqui a três a quatro meses. Entretanto, a EHang ainda precisa de aprovação da FAA, agência aeronáutica americana. O veículo tem uma autonomia de voo de 23 minutos no ar, ou cerca de 16 quilômetros.

    O veículo aéreo autônomo da EHang 184 é revelado no estande da EHang na International CES, quarta-feira, 6 de janeiro de 2016, em Las Vegas. O drone é grande o suficiente para caber um passageiro humano. (AP Photo/John Locher)

    A mobilidade é o grande desafio das cidades. Acredito que a melhor solução ainda é morar perto do trabalho. Entretanto, existirão situações que será necessário se descolar entre um hub e outro. Os veículos individuais autônomos com uso por demanda é uma das soluções. Será possível se deslocar com mais segurança e sem stress dos motoristas.

    Um desenho animado da década de 60, The Jetsons, conta a história de uma família no futuro que morava em um apartamento nas alturas. A casa tinThe-Jetson-1ha todas as facilidades para reduzir o trabalho do cotidiano das pessoas, com robôs para as tarefas domesticas e geringonças automáticas para preparação de comidas, banhos e pentear cabelos. Ao que parece estão evoluindo (sic) para o cenário dos Jetsons.

     

  • Estamos nos preparando para os carros elétricos?

    A Audi anunciou que irá aumentar a oferta para um quarto o número de carros elétricos nos Estados Unidos até 2026. Atualmente, a Audi vende cerca de 200 mil carros nos Estados Unidos.

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    A Audi é uma marca de luxo da gigante alemã Volkswagen, recentemente envolvida em um escândalo por ter trapaceado em testes de emissão de gases de seus carros nos Estados Unidos e, provavelmente, em outros países. O governo americano está cobrando uma multa de US$20 bilhões por essa trapaça.

    Atualmente, a Audi comercializa um carro hibrido, o e-tron, e vem avançando no desenvolvimento de novas tecnologias de baterias.

    A data de 2026, daqui a 10 anos, nos indica que teremos uma nova geração de carros elétricos acessíveis para os consumidores em geral.

    A questão é se estamos nos preparando para carregar as baterias desses carros que exigirá um novo perfil da infraestrutura de geração, transmissão e distribuição de energia. Hoje no Brasil, estamos lutando para manter a infraestrutura funcionando, que por sorte do setor elétrico, a recessão econômica está ajudando na estabilidade do sistema elétrico.

    Imagine o cenário que o proprietário de um veículo elétrico chegue em casa e ligue o carro na tomada para carregar a bateria. Se uma multidão de pessoas fizer ao mesmo o impacto na demanda de energia será imenso, exigindo uma capacidade extra de geração de energia. Um outro cenário é carregar o carro elétrico na garagem do estacionamento do trabalho. Em qualquer cenário será necessário uma adequação da infraestrutura do sistema elétrico.

    Existe ainda um outro cenário, onde os carros serão carregados no trabalho e utilizados para fornecer energia nas casas.

    Acredito que se iniciarmos os estudos e preparar a infraestrutura a partir de agora, não teremos restrições de uso dos carros elétricos no futuro. Vamos aguardar…