Autor: Eduardo Fagundes

  • Mais da metade das empresas brasileiras não tem planos de recuperação de desastres

    Uma pesquisa divulgada no início de 2012 pela Regus mostrou que 51% da empresas brasileiras não possuem uma estratégia para retomar as atividades de TI em até 24 horas. Embora 66% dos entrevistados declararam que investiriam em planos de contingência se o custo fosse razoável. As grandes empresas estão melhor preparadas para as contingências, até mesmo por que isso faz parte da governança de TI e corporativa.

    Um plano completo de contingência envolve todas as áreas da empresa, não apenas a TI. Em caso de um desastre natural ou eventos que impeçam os funcionários de irem ao trabalho é necessário existir um plano de trabalho alternativo.

    Por uma questão de otimização de negócio, algumas empresas de call center estão melhor preparadas. Atualmente, é possível o transbordo de ligação de um local para outras através de redes inteligentes de telefonia baseadas em VoIP. Com isso, se todas as posições de atendimento estiverem ocupadas em São Paulo, automaticamente, as chamadas são redirecionadas para Porto Alegre, por exemplo. Isso otimiza a ocupação das atendentes. Entretanto, para manter um serviço com alta disponibilidade o data center da empresa também deve ter um plano eficiente de recuperação.

    Uma alternativa para reduzir os custos dos planos de recuperação é adotar o estilo de processamento em nuvem – cloud computing. Um dos pontos que inviabiliza projetos de recuperação é o custo da infraestrutura de servidores e instalações que devem ser duplicadas. Com o cloud computing é possível reduzir a contratação de recursos e expandi-lo em caso de necessidade.

    Entretanto, para utilizar essa estratégia os data centers das empresas devem ter configurações compatíveis com um ambiente de cloud computing. De uma certa forma isso já está ocorrendo com a adoção da virtualização de servidores e storage.

    A adoção cada vez maior do trabalho remoto utilizando conexões seguras via Internet resolve em parte a questão de locais alternativos para trabalhar em caso de impedimento de acesso dos funcionários ao seu local de trabalho. Para intensificar esse estilo de trabalho e reduzir os riscos de paralisação dos negócios, as empresas devem incentivar programas de trabalho em casa, quebrando alguns paradigmas de produtividade que ainda existem.

    Desta forma, acredito que o cloud computing é a solução para que empresas de todos os portes adotem cada vez soluções de recuperação contra desastres.

  • O provedor de Cloud Computing deve pagar o custo de indisponibilidade?

    Calculamos o custo de indisponibilidade de um serviço de TI pela seguinte formula:

    Custo da Indisponibilidade = (DT x U x PU) + (DT x LBR) + OT + S, onde DT é o tempo de indisponibilidade, U é o número de usuário afetados, PU é o total dos custos médios por usuário afetado, LBR é perda de receita por hora, OT é a quantidade de horas extras para recuperar o trabalho (se aplicável) e S são outros custos da operação.

    Quando falando em cloud computing (pública, privada ou mista) a responsabilidade pelo desempenho do processamento é do provedor do serviço. Essa responsabilidade pode ser parcial ou total, dependendo da modalidade da prestação do serviço. Por exemplo, se o provedor de serviços  oferece apenas a infraestrutura (IaaS) sua responsabilidade está limita ao desempenho da infraestrutura dentro dos parâmetros negociados associado a uma carga de processamento estimada. Se o serviço oferecido é uma solução completa incluindo o software, o prestador de serviços tem total responsabilidade pelo desempenho do serviço.

    Garantias de alta disponibilidade de serviços são caras e podem inviabilizar um projeto. O fator de tomada de decisão é o risco. Empresas que buscam uma solução de cloud computing orientada a custos devem ser flexíveis para aceitar maiores riscos. Dentro dessa linha, se o risco for bem avaliado antes da assinatura do contrato o provedor de serviços não estará obrigado a reembolsar o custo de indisponibilidade.

    Entretanto, se as questões de risco não forem bem negociadas poderá haver uma longa disputa sobre o ressarcimento dos prejuízos em casos de interrupção dos serviços. Um ponto importante é que o ressarcimento de uma grande quantia pode abalar a estrutura financeira do provedor de serviços e, por consequência, aumentar ainda mais o risco de novos interrupções.

    Creio que o bom senso e espirito de parceria devam nortear as decisões sobre os custos de indisponibilidade. Salvo o melhor juízo.

     

  • Como elaborar objetivos eficazes?

    Início de ano, revisão e novos objetivos. Pessoas e empresas estabelecem objetivos a serem atingidos em um determinado período. Objetivos ambiciosos motivam as pessoas, criam senso de equipe e propiciam crescimento pessoal e profissional. Fácil? Nem tanto. Apenas 25% das pessoas conseguem cumprir os objetivos propostos. O desafio começa na elaboração dos objetivos e passa pela sua capacidade de execução. Materializar um sonho é o maior desafio das pessoas e, por consequência, das organizações. O desejo de realizar não assegura a execução.

    Para começar temos que fazer uma auto-análise para saber se temos capacidade para definir objetivos. Para começar, imagine uma linha do tempo de fatos históricos e veja se você consegue “enxergar” essa linha. Algumas pessoas veem essa linha da esquerda para a direita, outras da direita para a esquerdas, algumas de trás para frente ou da frente para trás. Algumas pessoas veem essa linha de forma difusa. Essa característica é importante por que você precisam “ver” seu objetivo materializado na linha do tempo em um momento futuro. Quanto mais você “ver” seu objetivo realizado maiores serão as chances de você executá-lo.

    O segundo passo é fazer uma análise de seus pontos fortes e fracos e das oportunidades e obstáculos para executar as oportunidades. Seja franco e honesto com você mesmo. Peça ajuda para amigos e colegas de trabalho para obter diferentes visões sobre você. Essa análise irá mostrar vários desafios pessoais e profissionais que poderão se tornar objetivos.

    O terceiro passo é definir e escrever seus objetivos. Uma das formas mais utilizadas para isso é a técnica S.M.A.R.T. (Specific, Measurable, Attainable, Realistic, Timely), em português, Específico, Mensurável, Atingível, Realista e em Tempo.

    Os objetivos deve ser especifícos, nada de colocar que gostaria de ter uma vida saudável sem definir o que é em seus mínimos detalhes. Quanto mais você detalhar seus objetivos maiores serão as chances de realizá-los. Começou a complicar? Pois é, muitas pessoas tem dificuldade de escrever detalhadamente o que pretendem fazer a partir de uma “folha em branco”. Isso exige esforço e tempo.

    Dentro da linha da especificação dos objetivos você deve estabelecer métricas para acompanhar o progresso da execução de seus objetivos e estabelecer quando ele foi concluído. Isso é importante para correções de rumo e definição de estratégias para alcançá-los. Então, você deve definir que irá, por exemplo, aumentar seu patrimônio pessoal em 30% no ano e não simplesmente definir que irá aumentá-lo.

    Os objetivos devem ser atingíveis em um determinado período de tempo. Vamos imaginar que seu objetivo é ser um empresário na área de biotecnologia. Se você não é do ramo e é empregado em uma empresa será necessário estabelecer objetivos intermediários para atingir seu objetivo maior. Por exemplo, ingressar em um curso de pós-graduação em biotecnologia.

    O próximo ponto é que os objetivos devem ser realistas. Não dá para definir um objetivo de ter três meses de férias para viajar se você está bem empregado e tem contas para pagar. Os objetivos devem estar em sintonia com sua realidade. Isso não significa que você deixe de sonhar com suas férias de três meses. Você precisa começar a construir um ambiente financeiro e de estilo de trabalho que permita que esse objetivo possa ser realizado em algum momento no futuro.

    O último ponto é definir em quanto tempo você irá realizar seus objetivos. Alguns são de curto e outros de longo prazo. Quem decide ser engenheiro precisa de no mínimo cinco anos de estudos para se formar depois que passar no vestibular. Para passar no vestibular precisa concluir o ensino médio e assim por diante. O melhor é estabelecer objetivo de curto prazo em linha com seus objetivos maiores. Isso estimula e dá forças para continuar a cumprir seus objetivos.

    Sempre que você concluir um objetivo comemore. Compartilhe e agradeça aos amigos e colegas que o ajudaram a realizar seu objetivo. Isso garantirá um novo ciclo de colaboração para cumprir novos objetivos.

    Uma regra de ouro para cumprir um objetivo é que ele tem fazer sentido para você. Óbivo? Nem tanto. Muitas vezes você precisar cumprir objetivos que não são seus. Os objetivos da sua empresa, por exemplo. A melhor coisa a fazer é encontrar uma forma de você ter algum benefício pessoal com atingimento desses objetivos, por exemplo, continuar no emprego ou conseguir uma nova oportunidade de trabalho dentro ou fora da empresa.

    Caso tenha dificuldades para definir seus objetivos peça ajuda. Melhor compartilhar suas dificuldades do que viver sem objetivos e enfrentar o estresse que isso provoca. Isso é tão comum nas pessoas que existe até profissionais especializados nisso, os chamados “coaches”.

    Boa sorte no seu planejamento de objetivos.

  • Balance Scorecard (BSC) & Project Portfolio Management (PPM)

    Muitas estratégias corporativas falham pela falta de capacidade de execução e pela falta de um gerenciamento de projetos efetivo e integrado. O BSC é uma técnica de acompanhamento do desempenho de estratégias corporativa largamente utilizada pelas empresas. O BSC reflete e estrutura as ações da empresa para atingir seus objetivos estratégicos através das seguintes perspectivas: financeira, clientes, processos internos e, aprendizado e crescimento. Algumas empresas incluem a perspectiva de sustentabilidade ambiental. Através de mapas estratégicos são definidas as inter-relações entre as ações das diferentes perspectivas, resultando em uma estratégia integrada e consistente. O desafio está em executar o plano estratégico composto por diversos projetos em diferentes áreas de negócios da empresa. Outro desafio é monitorar o impacto das correções estratégias nos projetos e avaliar se os projetos em execução e planejados estão em linha com as mudanças estratégicas.

    Uma forma eficiente de gerenciar o BSC é através da gestão de portfólio de projetos (PPM). O PPM é um conjunto de métodos de análise e gestão de coletiva de um grupo de projetos com objetivos comuns. Os projetos são selecionados com base em critérios analíticos, associados aos objetivos organizacionais e na maximização dos resultados. O PPM é capaz de avaliar se os projetos em execução e planejados continuam efetivos após as mudanças de estratégias realizadas ao longo de um determinado período.

    O uso combinado de BSC e PPM resultam no monitoramento efetivo das estratégicas corporativas e asseguram a execução dos projetos alinhados aos objetivos empresariais e suas mudanças em função de novas demandas de mercado ou requerimentos internos.