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  • Os benefícios do Outsourcing de TI em tempos de recessão econômica

    Alguns gestores ainda encaram o outsourcing mais como uma opção de redução de custos do que aumento de eficiência operacional. Pior, consideram a redução apenas no seu centro de custo, não visualizando os impactos de custos nas áreas que prestam serviços internos. Os custos ocultos são os que mais impactam na eficiência operacional e muitas vezes não são considerados nas análises de viabilidade técnico/econômica.

    Felizmente, as novas modalidades de uso de software baseado em web ajudam na redução de custos. Por exemplo, eliminam a necessidade de distribuição de pacotes de softwares de atualização pesadas. O uso de discos virtuais aumentam a segurança e eliminam o tempo dos usuários de longos períodos para fazer backup de dados. A adoção do conceito de BYOD – Bring Your Own Device – reduz os custos de manutenção e gestão de alguns equipamentos. A adoção do ensino da distância (EaD) para treinamento dos usuários reduziu o custo e melhorou a capacitação dos usuários. O uso de Cloud Computing para alguns serviços reduziu o esforço de gerenciamento e recursos de infraestrutura. A migração de desktops para notebooks e o período de substituição dos equipamentos também influenciam nos custos.

    O uso de melhores práticas e tecnologias aumenta a segurança e gerenciamento, reduzindo consideravelmente o custo total de propriedade (TCO – Total Cost Ownership). A planilha a seguir compara os custos de ambientes sem gerenciamento com diferentes níveis de gerenciamentos em ambientes locais e de viagem, considerando funcionários operacionais (horário fixo de trabalho) e funcionários de conhecimento (horário estendido).

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    Os benefícios do outsourcing são maiores que uma simples redução de custos na linha do budget de TI. É uma grande oportunidade para aumentar a eficiência operacional da organização como um todo e um gatilho para adotar novas tecnologias que, no mínimo, alinham a empresa aos competidores mais eficientes.

  • O desafio da transformação da matriz energética

    O desafio da transformação da matriz energética

    Apesar do eloquentes discursos sobre a necessidade de investimentos em energia renovável para minimizar as mudanças climáticas na COP21 em Paris, o desafio para transformar a matriz energética é gigantesco. Não apenas no campo da tecnologia, mas na economia e política.

    No campo da tecnologia, para usar energia eólica e fotovoltaica temos que avançar na digitalização do sistema (Smart Grid). As fortes variações de frequência de geração de energia criam pertubações significativas na rede que podem levar ao desligamento automático de sistemas integrados. Para se ter uma ideia, a variação de geração de energia eólica pode variar de 100% para 10% em apenas 3 segundos.

    Outro ponto sobre tecnologia são as discussões sobre geração de energia centraliza e descentralizada. Tanto do ponto de vista técnico como econômico a geração centralizada é mais simples e barata. A geração distribuída e acoplada a sistemas elétricos integrados necessita de grandes investimentos em automação e controle para evitar falha no serviço. O uso de baterias de grande capacidade, que além de armazenar energia ajudam na estabilização do sistema, são caras e com produção limitada.

    Do ponto de vista econômico, substituir a energia gerada através de carvão, óleo e gás significa pesadíssimos investimentos. Atualmente, cerca de 80% da energia gerada no mundo usa combustíveis fosseis. Além disso, em alguns países ainda existem subsídios para energias de alta emissão de carbono. Aliás, uma tremenda distância entre o discurso ambiental e a prática.

    Na esfera política as escolhas são difíceis. Veja o caso do Brasil, qual a melhor opção? Usar o dinheiro público (Tesouro Nacional ou altos preços dos combustíveis) para salvar a Petrobrás, garantindo os royalties de Estados e municípios, a manutenção dos empregos, os investimentos realizados e planejados e o poder de barganha dos políticos ou redirecionar os investimentos para geração de energia renovável, incluindo financiamentos e subsídios?

    Apesar dos investimentos em projetos de petróleo estarem em declínio nos últimos dois anos, ainda têm uma parcela importante no contexto global de energia.

    O fato é que temos que investir em geração, transmissão e distribuição de energia para atender a crescente demanda. Cada vez mais a energia é fonte de crescimento econômico e alavancador de novas tecnologias, produtos e serviços.

    Parte da solução está na digitalização do sistema elétrico (Smart Grid) para melhorar o controle da demanda. Redes inteligentes permitem o uso mais eficiente de energia e, consequentemente, reduz e aproveita melhor os recursos de geração.

    Uma discussão interessante sobre transformação de energia foi realizada no Fórum Econômico Mundial 2016 em janeiro em Davos.

  • Tire o foco da inovação, aposte no empreendedorismo

    Tire o foco da inovação, aposte no empreendedorismo

    Como professor e consultor tenho contato com muitos profissionais de empresas de diferentes portes e setores. Percebo de alguns deles a angustia na busca pela inovação. Isso é saudável, pois estimula a criatividade e deixa as pessoas mais atentas as oportunidades que nos cercam. Entretanto, recomendo que tenham cuidado na busca pela inovação focando apenas nas tecnologias e nas “buzzwords” do momento. A tentativa de uso de tecnologias emergentes e pouco conhecidas, além do seu custo inicial, pode inviabilizar vários projetos e ter um efeito inverso do desejado, ou seja, levar a perda de competitividade da empresa. Recomendo que o foco seja no empreendedorismo, buscando oportunidades para gerar riqueza para empresa (ou para si mesmo). O uso de tecnologias é apenas uma consequência do empreendedorismo.

    Uma buzzword atual é “business transformation”, uma roupagem nova para o e-business do século passado. A diferença é a velocidade que as mudanças estão ocorrendo. No século passado as iniciativas de comércio eletrônico eram complementares e levaram quase 20 anos para se tornarem essenciais para os negócios. Hoje, o tempo de adoção de novas práticas de negócios é muito mais rápida, graças as novas tecnologias, a redução significativa dos preços dos serviços de computação e, principalmente, pela alta expectativa dos consumidores por coisa novas.

    Cá entre nós, transformar um negócio, principalmente se ele é lucrativo, não é fácil. As empresas já constituídas ao longo do tempo atingem um nível de eficiência operacional que torna as ações das pessoas quase que robotizadas e os desafios de ganhos de eficiência e crescimento são modestos. Normalmente, essas empresas avançam na automação e reduzem a necessidade de pessoal especializado com altos salários.

    Mas então, como romper a cultura das empresas e buscar novos negócios? A resposta é estimulando o empreendedorismo dos empregados e da comunidade.

    Uma prática cada vez mais adotada pelas empresas é fomentar a criação de startups, desvinculadas das empresas e com vida própria. Isso permite contratar pessoas com perfil diferente, usar processos de negócios mais simples, fugir do compliance, ter mais agilidade na tomada de decisões e experimentar novos modelos de negócios sem afetar o negócio principal. Esqueça aquele negócio de sinergia entre as operações – serviços compartilhados – isso sufoca qualquer startup.

    É claro que o conceito de startup está fortemente relacionado ao empreendedorismo. Aliás, empreendedorismo é a chave para o sucesso de qualquer negócio. Todos nós conhecemos histórias de pessoas com grandes ideias que fracassaram. Se olharmos mais atentamente veremos que a causa principal foi a falta da característica empreendedora do líder do negócio (dono, presidente, diretor, gerente, supervisor ou coordenador).

    Se analisarmos as pessoas de sucesso, veremos que são grandes empreendedores. Conseguiram transformar conhecimento e habilidades em negócios rentáveis. Certamente, não foi apenas sorte, lutaram muito para estarem preparados para identificar e executar ações para aproveitar uma oportunidade e transformá-las em riqueza.

    Mas isso é parte de um processo, não é um estalar de dedos que mudamos a cultura de uma pessoa ou de uma empresa. Business Transformation, não é tecnologia é mudança cultural.

  • A tecnologia e as finanças globais

    A tecnologia e as finanças globais

    Algumas previsões indicam que o papel moeda acabará nos próximos 10 anos, substituído por transações eletrônicas, embora hoje 85% das transações globais são realizadas em dinheiro (cash).

    O que sabemos é que a economia global é lenta. Já se passaram sete anos do colapso do Lehman Brothers e o mundo ainda vive uma instabilidade econômica e os riscos crescem nos mercados emergentes, como o Brasil.

    O Produto Interno Bruto (PIB) projetado para 2016 é decepcionante e desigual (veja o gráfico). Ao que parece as perspectivas não são nada animadoras. Convivemos com baixa produtividade, envelhecimento da população e o legado da crise econômica de 2008.

    world-GDP-2016-forecast

    Por outro lado, a concentração de renda avança. Hoje 62 pessoas concentram a riqueza de 3,5 bilhões de pobres no mundo. Obvio que alguma coisa está errada. A falta de regulação do mercado financeiro leva a essas distorções.

    Acredita-se que o novo modelo de crescimento chinês, colocando mais atenção ao consumo interno, e a normalização da política monetária nos Estados Unidos poderão trazer mudanças benéficas para o mundo.

    Existe mais um ator importante nesse cenário – a tecnologia. As mudanças tão rápidas estão provocando a quarta revolução industrial. Não as tecnologias em si, mas a velocidade que as mudanças na sociedade e nos negócios estão provocando.

    As mudanças tecnológicas assumiram um papel tão ou mais importante que a regulação dos mercados. Veja o caso do Bitcoin, uma moeda virtual com controle descentralizado. O fato de permitir transações financeiras pessoa-a-pessoa sem o uso de instituição bancaria ajuda na redução dos custos de transação e permite maior facilidade no comércio internacional. Entretanto, pode também ser utilizado para encobrir transações criminosas e o terrorismo.

    Não podemos esquecer que o sistema bancário é totalmente dependente da tecnologia, baseada em sistemas legados muito antigos, pelo menos aqui no Brasil. Sabemos que os principais bancos brasileiros têm enormes desafios para substituir os sistemas antigos, ainda escritos em COBOL, por arquiteturas e sistemas mais modernos.

    A extinção do dinheiro por meios eletrônicos será um avanço e evitará muitas das transações ilícitas atuais. Com a expansão do uso dos smartphone será possível a rápida adoção de sistemas de pagamentos eletrônicos. Por outro lado (sempre tem um senão) aumentam os riscos de ataques cibernéticos e maiores cuidados dos usuários sobre segurança da informação. Por exemplo, um usuário do Bitcoin reformatou seu harddisk e perdeu a senha de autenticação e teve problemas para recuperar seus bitcoins.

    A adoção plena da tecnologia só será possível com a confiança das pessoas nos novos modelos financeiros e nas garantias que seus dados (e dinheiro) não serão roubados por hackers.

    Acredito que o grande desafio será buscar o equilíbrio entre a tecnologia e a regulamentação do mercado financeiro, trazendo confiança para as pessoas.