Autor: Eduardo Fagundes

  • Manutenção com Monitoramento Remoto

    Redução de custos e aumento da disponibilidade da linha de produção são os resultados esperados de uma gestão de manutenção com monitoração remota via Internet. Centralizar o gerenciamento permite a redução de estoques de sobressalentes críticos e otimização das equipes de campo. A monitoração remota diminui os riscos de acidentes de trabalho e valoriza a equipe técnica que pode dedicar mais tempo para atividades de planejamento. Criando um repositório de dados dos equipamentos da linha de produção é possível maximizar os recursos e melhorar o planejamento das manutenções preventivas. A automação é fundamental para o aumento da qualidade dos produtos, redução de custos e aumento da produção. A tecnologia está madura e os equipamentos de medição acompanharam a redução de preço típica de setor de eletrônicos. Os protocolos de comunicação industriais são de domínio público com padrões abertos adotados pela maioria dos fornecedores, tornando o processo de monitorização e integração de sistemas mais simples. A contratação de um provedor de serviços de manutenção e monitoração remota garante a rápida adoção da tecnologia, maior retorno do investimento e aumento da produtividade da linha de produção.

    A monitoração do caminho crítico dos sistemas permite a detecção de problemas com antecedência e a programação da manutenção, evitando a paralização da linha durante os turnos de produção. A automação da monitoração possibilita identificar desvios de parâmetros de forma seletiva e por exceção. Os alertas de mau funcionamento podem ser classificados de acordo com sua criticidade. Cada aleta possuindo um procedimento detalhado de contorno e reparo evita a paralização da linha. Um serviço de manutenção eficiente deve oferece um plano de recuperação baseado no FMEA.

    Embora cada unidade fabril tenha que instalar computadores servidores de dados para a conexão dos sensores e medidores locais através dos protocolos Fieldbus, a monitoração pode ser realizada remotamente na central do provedor de serviço de manutenção. A decisão sobre a localização da equipe de monitoração depende do porte do sistema e do número de plantas monitoradas, sendo possível a adoção de uma arquitetura hierárquica de monitoração.

    Conhecendo com detalhes o perfil de operação em regime dos componentes da linha é possível estabelecer manutenções preventivas mais precisas e melhorar o dimensionamento de peças e outros componentes de reposição. O efeito gerado é uma redução de custos vinda da redução do inventário e aumento da disponibilidade da linha de produção.

    Com informações mais acuradas sobre os componentes da linha é possível uma manutenção preventiva mais assertiva e melhor aproveitamento das equipes de campo. Permite, inclusive, que alguns locais de apoio às unidades fabris possam operar de forma não assistida, apenas com a monitoração remota. Reduzindo o número de intervenções da equipe e com manutenções mais objetivas a tendência é diminuir a incidência de acidentes de trabalho e, consequente, o absenteísmo.

    A automação leva a especialização e valorização dos funcionários, melhorando o clima organizacional e redução da rotatividade. A melhoria do ambiente de trabalho induz maior envolvimento dos funcionários e maiores contribuições para a melhoria de processos. A automação libera mais tempo para as equipes de manutenção planejar e criar mecanismos de prevenção de falhas.

    A coleta sistemática de dados da linha de produção cria um histórico de eventos consistente que serve para determinar ações de melhoria baseadas em dados estatísticos. Essas análises quantitativas e qualitativas permitem a maximização dos recursos instalados na linha. Permite a identificação de pontos críticos de falhas e criação de procedimentos de contorno e de contingência. Os dados permitem definir novas especificações e ajustes dos componentes. A análise dos dados históricos aumenta o poder de argumentação das equipes de manutenção na aprovação de novos projetos de melhoria técnica e demonstra maior maturidade nas discussões com a alta gerencia.

    Para atender as pressões de qualidade e redução de custos a solução é a adoção de um sistema de automação e monitoração inteligente, dentro dos princípios de lean manufacturing. Felizmente, com a redução evolutiva dos custos dos componentes eletrônicos a automação está acessível para a maioria das indústrias. O amadurecimento do setor de automação levou a definição de protocolos de comunicações e formatos de mensagens padrões, reduzindo os custos de implantação e aumentando a facilidade de integração dos sistemas.

    A curva de aprendizagem e de adoção tecnológica é reduzida com a contratação de um provedor de serviços de manutenção. A introdução de processos e componentes de automação já testados, associados com as melhores práticas de gestão, são aceleradores do nível de maturidade em automação das empresas. A contratação do serviço elimina a necessidade de um extensivo programa de treinamento e desenvolvimento a partir do zero dos processos de monitoração. A redução do tempo de implantação é mais uma componente de redução de custos com aumento significativo da disponibilidade da linha de produção.

  • Superando dificuldades para implantar cloud computing

    As questões técnicas de implantação de cloud computing foram superadas. Existem várias ferramentas que criam e gerenciam o ambiente, incluindo algumas start-up com foco exclusivo em computação em nuvem. A barreira que devemos superar agora é convencer os técnicos e executivos das empresas a migrarem suas aplicações para o novo ambiente. Existem vários mitos e algumas reais dificuldades que devem ser trabalhadas. Entretanto, só iremos conseguir superar os obstáculos desenvolvendo planos de ações objetivos e eficazes.

    A figura acima mostra os principais obstáculos para avançar em projetos de cloud computing.

    1. Forte cultura para processamento local. Ainda é forte o paradigma de alguns executivos de TI e da alta direção das empresas que o datacenter deve ficar no bunker da empresa. O fato de ver os equipamentos traz segurança para as pessoas, pois sabem que os dados e os sistemas estão ao seu alcance físico. Entretanto, isso é uma mera sensação de segurança, pois os computadores estão conectados em redes, incluindo a Internet, que oferece acesso de qualquer ponto da rede. As medidas de segurança são as mesmas aplicadas em ambientes de cloud computing, podendo ser até mais sofisticada porque os grandes datacenters têm a segurança como ponto chave de confiabilidade de suas operações e investem pesado para garantir um ambiente seguro.Para vencer essa barreira sugiro levantar casos de sucesso de outras empresas, convencer a alta direção da empresa através de resultados e projetos pilotos. É uma forma, também, das equipes de desenvolvimento e operação irem adquirem conhecimento e experiência no ambiente de cloud computing.
    2. Falta confiança. Tudo que é novo gera dúvidas e desconfianças. O pessoal de TI tem a responsabilidade de garantir a disponibilidade das aplicações e a confiabilidade e integridade dos dados. Migrar para um ambiente virtualizado com camadas de softwares adicionais aumenta a complexidade do ambiente, gerando mais pontos de falhas, e podem afetar o desempenho das aplicações. Além disso, a virtualização dos discos pode remanejar os dados para locais dispersos.As considerações são validas, porém o atual estágio das tecnologias de virtualização de processamento e disco já estão bem consolidadas. O “estilo” de processamento em nuvem usa, fundamentalmente, as tecnologias de virtualização. Desta forma, utilizar cloud computing é mais um passo a frente. Sugiro colecionar casos de sucesso internos de virtualização e de outras empresas e fazer um trabalho interno de convencimento e evangelização.
    3. Falta de padronização das APIs. Para interagir de forma eficiente com o ambiente de cloud computing para aproveitar todo o seu potencial é necessário utilizar APIs indicadas pelos provedores de serviço. Por ser um ambiente novo ainda não existe uma padronização das APIs e, consequentemente, cada instalação adota um procedimento de chamada. Em caso de migração de ambientes é necessário rever as interfaces e, provavelmente, escrever novas.As dificuldades serão maiores ou menores de acordo com a arquitetura do sistema de aplicação. Se foi construído seguindo as melhores práticas de desenvolvimento de sistemas sua arquitetura modularizada permitirá uma rápida migração.
    4. Segurança vulnerável. Essa questão envolve os aspectos típicos de segurança da informação e adiciona outra preocupação sobre o compartilhamento físico de aplicações e dados com outras empresas. Como garantir que os dados de uma empresa não compartilham o mesmo disco que o seu principal concorrente.Essa questão a Internet já resolveu a algum tempo, segregando dados de países e de grandes empresas concorrentes através de roteamento de dados inteligente. Os provedores de cloud computing estão adotando o mesmo procedimento, ou seja, não permitem que empresas concorrentes compartilhem fisicamente os ambientes. Quando as questões de segurança lógica dos dados, sempre nos sentiremos inseguros.
    5. Falta Budget para o projeto. Essa dificuldade pode ser uma real oportunidade para alavancar o uso de cloud computing. Normalmente, as despesas (OPEX) são baseadas em séries históricas e contratos vigentes. Com a manutenção assegurada do hardware e das licenças de software somos tentados a manter os equipamentos funcionando para atender demandas ad-hoc e, consequentemente, o dinheiro será gasto.Para resolver a questão de budget, sugiro redirecionar as verbas de manutenção de hardware para a contratação de máquinas virtuais. Deixe o backup dos servidores locais na nuvem. Isso deve viabilizar alguns projetos e iniciar a aquisição de experiência e conhecimento do novo ambiente.
    6. Provedores não oferecem um ambiente real de cloud computing. Como o buzzword “cloud computing” está na moda todos os provedores de serviços afirmam ter a solução. Entretanto, alguns provedores acabam hospedando as aplicações em servidores virtualizados sem algumas das funcionalidades do cloud computing, tais como pool de recursos “ilimitado”, pagamento por uso e elasticidade.Para evitar comprar gato por lebre, sugiro visitar o provedor de serviço para conhecer sua solução e avaliar sua plataforma de cloud computing.
    7. Pouco conhecimento. Por ser um ambiente novo ainda existem poucos especialistas no mercado para configurar os ambientes. A escassez de especialista impede o crescimento da adoção de novas tecnologias. Por outro lado, só se adquire experiência e conhecimento praticando.Para contornar essa dificuldade a solução é investir em treinamento do pessoal, ou seja, a mais antiga das soluções para melhorar a eficiência das organizações.
    8. Os provedores não divulgam seus problemas. Claro, ninguém gosta de expor seus problemas e fraquezas. Entretanto, uma vulnerabilidade de um provedor de cloud computing pode afetar uma ou mais empresas e o risco não estar sendo considerado pelos clientes por desconhecerem o problema. Infelizmente, pela Lei de Murphy sempre sua empresa será afetada pelo problema do provedor no momento em que você mais precisa do ambiente funcionando.Para mitigar esse problema coloque em contrato que obrigatoriedade de informes de todos os problemas do provedor sob o risco de cancelamento do contrato. Para ambientes de aplicações críticas exija a certificação SAS-70 do provedor. Isso deve garantir que os provedores adotaram medidas transparentes de comunicação.

    Resumindo, ainda existe resistência de alguns executivos para migrarem para cloud computing, porém devemos conhecer todos os problemas e inquietações e desenvolver planos robustos e eficazes para resolver os pontos em aberto. Isso é necessário, pois o cloud computing é um modelo de processamento  que traz muitos benefícios, redução de custos de processamento e contribui para a sustentabilidade ambiental.

  • Tweets da semana 2011-10-09

    • http://t.co/eBKVMeq3 In my opinion, the companies have to take off the operations responsibilities from CIOs. The CIO name must be Chief… #
    • Será que teremos energia? 42 shoppings serão inaugurados no Brasil em 2012. Cidades médias do sul são alvo. http://t.co/ApS5T8R6 #
    • #SteveJobs deixou lançamentos para os próximos 4 anos. Mesmo depois de sua morte continuará a transformar o modo de agir das pessoas. #
    • Minha filha de 15 anos comentou que com a morte de #SteveJobs a #Apple tem futuro incerto. Geração Y opinando sobre negócios. #
    • Evento de aniversário do #Mackenzie Tamboré. inaugura pagamento de R$10 dentro do pátio, +caro que alguns em SP. Entidade filantrópica? #
    • Apple #SteveJobs http://t.co/wgPS356k #
    • Community Cloud, processamento compartilhado por um grupo de empresas com forte relacionamento. Exemplo, supply chain. #dcdfocus #deloitte #
    • Clod Computing cresce mais rapido que tecnologias como client/server e Internet. #dcdfocus #deloitte #
    • Começou a palestra da Deloitte sobre o estágio atual e futuro de cloud computing. Conceitos e tendências. #
    • Minha palestra sobre Cenários prospectivos para projetos de datacentrs será amanhã (4/10) às 9h30 #dcdfocus #
    • Começou a conferência internacional da DataCenterDynamics #dcdfocus no hotel Transamerica em São Paulo. #

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  • Steve Jobs e Akio Morita

    Muitos analistas estão comparando Steve Jobs a Henry Ford, Thomas Edison e outras grandes figuras que transformaram o modo de vida das pessoas. Concordo. Também, não podemos deixar de lembrar de Akio Morita co-fundador da Sony.

    Morita participou da segunda guerra mundial como oficial da Marinha Imperial Japonesa e depois lançou uma empresa chamada Tokyo Telecommunications Engineering Company com 25 anos em 1946, que em 1956 mudou de nome para Sony. Imagine as dificuldades de uma empresa japonesa no pós guerra tentando vender produtos para um país totalmente destruído e para um mundo em que o Japão era um grande vilão. Mas a genialidade de Morita o fez criar o primeiro rádio totalmente transistorizado (para os mais jovens, transistor foi o precursor do chip). Morita lançou o Walkman (para os mais jovens, o precursor dos tocadores MP3 que utilizava fita cassete), ou seja, o precursor do iPod.

    A história conta que ninguém da Sony acreditava no walkman, mas por insistência de Morita o produto lançado e foi um sucesso que transformou o modo de vida das pessoas. O produto veio da observação de Morita do comportamento dos japoneses no metrô. A maioria dos passageiros ficava concentrado na leitura de livros e jornais. Ele pensou que eles também poderiam se interessar em escutar música enquanto viajam. Ele, como Steve Jobs, não precisou de caras pesquisas de mercado para perceber isso. Notem, também, que o walkman usava vários componentes de outros fabricantes, incluindo a fita cassete inventada pela Philips. Hoje, a ideia de Morita ainda continua viva fazendo parte dos celulares da Sony Ericsson.

    Com mais sorte que Morita, Steve Jobs nasceu em 1955, na chamada geração baby boomer. Também, sofreu dramas pessoais que superou com persistência e disciplina, alias característica de pessoas de sua geração. A grande “sacada” de Steve Jobs (e de seu sócio Steve Wozniak) foi acreditar que era possível a computação pessoal, coisa que os grandes executivos da época não acreditavam, como o presidente da IBM e da Digital Equipment (para os mais jovens a Digital ou DEC foi uma das maiores empresas de computadores nas décadas de 60 até 80).

    Steve Jobs teve uma das maiores decepções de sua vida quando foi obrigado a sair da Apple por divergências com os acionistas. Fundou a NeXT e comprou um o estúdio de 3D da Lucasfilm de George Lucas, a Pixar. Na NeXT, criou o sistema operacional que é a base do atual Mac OS. Na Pixar, criou os desenhos animados mais premiados com Oscar dos últimos tempos.

    Quando convidado a retornar a Apple, Steve Jobs vendeu a NeXT para a Apple. Muitos analistas consideram que na verdade a NeXT é que comprou a Apple, pois todos os diretores da NeXT assumiram posições de destaque na Apple.

    Os lançamentos inovadores de Steve Jobs evitaram a falência da Apple (também a venda de 40% das ações para a sua arqui-inimiga Microsoft). Como os sucessivos sucessos a empresa alavancou e recompraram as ações da Microsoft.

    A história do iPod é muito parecida com a do Walkman. Steve Jobs percebeu que muitos usuários de computadores estavam carregando suas músicas nos notebooks e desktops e que existia a oportunidade de criar um equipamento portátil para levar as músicas para qualquer lugar. Percebeu a forte convergência das tecnologias e lançou o iPhone. Percebeu que a oportunidade de equipamentos portáteis para substituir os notebooks e netbooks, o iPad.

    Interessante é que nenhum desses lançamentos a Apple foi pioneira. É ai que vem a genialidade de Steve Jobs e sua capacidade de transformação do hábito das pessoas. Steve Jobs foi um evangelizador.

    Na Pixar, o sucesso foi tão grande de seus filmes que causou um forte desemprego no setor de desenhos animados nos Estados Unidos. Note aqui que a Pixar era de George Lucas, o revolucionário (talvez nem tanto) de Guerra nas Estrelas. Lucas, apesar de ter o estúdio, não conseguiu produzir nenhum filme de sucesso. A Pixar com Steve Jobs teve sucesso já no seu primeiro filme, o Toy Story.

    Mais uma vez, a questão da venda. Os estúdios Disney compraram a Pixar. Steve Jobs tornou-se o maior acionista individual da Disney. E adivinhem quem são hoje os principais diretores da Disney? Acertaram, os diretores da Pixar, incluindo o diretor dos parques temáticos da Disney. De novo a pergunta, quem comprou quem?

    Tentando comparar Akio Morita e Steve Jobs observo que os dois conseguiram superar enormes problemas no início de suas vidas, mas com visão e persistência conseguiram atingir seus objetivos e transformar a vida das pessoas.

    Assim como a Sony, a Apple deve continuar inovando e seguindo em frente marcada pelo DNA de seu fundador. Outras empresas, como a Ford continuam a agir sob os fundamentos de seus criadores.

    Quem será o próximo Evangelizador de tecnologia?