Autor: Eduardo Fagundes

  • Gás de xisto pode desbancar fontes renováveis de energia, como a eólica e a solar

    Contra todas as expectativas, as emissões dos Estados Unidos de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, desde seu pico de 2007, caíram 12% em 2012, voltando aos níveis de 1995. O motivo principal para isso, em uma palavra, é o “fracking”. Ou, em 12 palavras: perfuração horizontal e fratura hidráulica para recuperar depósitos de gás de xisto.

    Nenhum outro fator chega perto de constituir uma explicação plausível. Ao contrário da União Europeia (UE), os Estados Unidos nunca ratificaram o Protocolo de Kyoto, por meio do qual os países participantes se comprometeram a reduzir as emissões de CO2 em aproximadamente 5%, em relação aos níveis de 1990, até 2012. A persistente redução das emissões nos Estados Unidos também não é efeito colateral da queda do nível de atividade econômica. Embora a economia americana tenha alcançado seu pico no fim de 2007, no mesmo período que as emissões, a recessão acabou em junho de 2009, e o crescimento de seu Produto Interno Bruto (PIB) desde então foi significativamente maior que o da Europa. No entanto, as emissões dos EUA continuaram a cair, enquanto as da União Europeia começaram a subir de novo depois de 2009.

    Pode-se virtualmente provar que o gás de xisto foi a principal influência sobre a queda das emissões americanas. Apenas dez anos atrás, o setor de gás natural estava tão convencido de que a produção doméstica americana estava chegando ao seu limite que fez grandes investimentos em terminais a fim de importar gás natural liquefeito (GNL). Mas o “fracking” aumentou a oferta de maneira tão rápida que essas instalações estão agora sendo convertidas para exportar GNL.

    Opositores ao “fracking” se preocupam com a possibilidade de o gás de xisto desbancar fontes renováveis de energia, como a eólica e a solar. Mas o fato é que não se pode reduziras emissões de CO2 sem reduzir o uso do carvão, e o gás de xisto já está destronando o carvão nos EUA. Isso não é especulação: está acontecendo agora. Mesmo que alguma fonte mais limpa se torne viável posteriormente, ainda precisaremos do gás natural como uma ponte.

    Em outras palavras, se o mundo continuar a construir centrais elétricas a carvão ao ritmo atual, essas usinas ainda estarão operando em 2050, independentemente das outras tecnologias que se tornarem viáveis nesse meio tempo. A energia solar não conseguirá hoje deter a construção dessas centrais a carvão. O gás natural conseguirá.

  • Os novos desafios que norteiam a Embrapa

    Com o sucesso no desenvolvimento de variedades adaptadas ao Cerrado, numa época de carência de pesquisas privadas, a Embrapa chegou a ter 60% do mercado brasileiro de sementes de soja e 30% do de milho. Hoje, essas participações caíram para 9% e 1%, respectivamente.

    A Embrapa  manter fatias de 7% a 12% nesses mercados, mas medir forças com as grandes multinacionais seria infrutífero e colocaria em risco centenas de outros projetos importantes e que não atraem a iniciativa privada por falta de retorno.

    Segundo a Embrapa, é impensável dirigir todos os esforços da Embrapa, com seu orçamento total da ordem de R$ 2 bilhões por ano e os entraves burocráticos que limitam sua agilidade, para bater de frente com grupos como Monsanto, que só em pesquisas investe mais de US$ 1 bilhão.

    A sustentabilidade da produção propõe mudanças importantes. É necessário  “descarbonizar” o setor, cuja emissão é grande. Temos as emissões entéricas dos bovinos, dejetos e grande uso de nitrogênio. Sem falar dos desafios com as mudanças climáticas”. Segundo a Embrapa, há 400 pesquisadores da Embrapa envolvidos em trabalhos sobre diferentes pontos ligados às mudanças climáticas.

  • Poucas empresas usam incentivos fiscais à inovação

    Segundo informação divulgada no Relatório Anual da Utilização dos Incentivos Fiscais pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), acessível em www.mcti.gov.br/incentivosfiscais, 1.475 empresas participaram do programa de incentivos fiscais desde sua entrada em vigor, em janeiro de 2006.

    A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, conhecida como “Lei do Bem” que, em seu Capítulo III, regulamentado pelo Decreto nº 5.798, de 7 de junho de 2006, criou benefícios fiscais à inovação tecnológica para estimular investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento tecnológico por empresas que operam em regime tributário de lucro real, em qualquer área de atuação, quer na concepção de novos produtos, como no processo de fabricação, bem como na agregação de novas funcionalidades ou características ao produto ou processo que implique em melhorias incrementais e efetivo ganho de qualidade ou de produtividade, resultando em maior competitividade no mercado.

    Dentre os benefícios fiscais desta lei está a dedução de dispêndios classificáveis como despesas operacionais pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), com reflexos neste tributo e na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).

    Em linhas gerais, as atividades de inovação passíveis de receber incentivos fiscais desta lei são: pesquisa para o desenvolvimento e inovação; cooperação da empresa com universidades, instituições de pesquisa, micro e pequena empresa ou inventor independente; contratação de pesquisadores; patentes e registros de cultivares; aquisição de novas máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos destinados à inovação; aquisição de bens intangíveis vinculados ao conhecimento técnico-científico.

  • Para FMI, Brasil tem baixo PIB potencial

    O crescimento potencial do Brasil parece mais baixo do que se pensava, diz o economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI), Olivier Blanchard, referindo-se ao ritmo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) que não acelera a inflação. Para ele, se a economia brasileira estivesse muito abaixo do potencial, o país veria a inflação cair mais. “Com isso, a margem de manobra para usar políticas de estímulo à demanda é provavelmente limitada”, afirma Blanchard, lembrando que o FMI reduziu a previsão de crescimento para a economia brasileira em 2013 de 3,5% para 3%. Gargalos de infraestrutura e no mercado de trabalho foram apontados pelos economistas da instituição como restrições de oferta importantes que afetam o país.

    Para Blanchard, a recuperação americana mostra sinais robustos, pelo lado do setor privado. O país vai crescer quase 2% mesmo com o ajuste fiscal equivalendo a uma contração de 1,8% do PIB. O economista elogia também a política monetária japonesa, e não a encara como uma medida voltada para produzir uma desvalorização competitiva do câmbio, mas sim para de fato tirar o país da deflação.