Autor: Eduardo Fagundes

  • Encontre o sucesso aprendendo com os equívocos

    Para se aprender com os equívocos e criar projetos de sucesso é preciso ariscar. Infelizmente, poucas empresas já estabelecidas e com mercados bem definidos e lucrativos apostam em projetos inovadores que embutem um certo risco. Normalmente, são empresas pouco tolerantes a equívocos. Entretanto, é testando novos produtos e criando práticas de negócios alternativos é que se aprende e se encontra o sucesso.

    Evitei utilizar a palavra erro para não criar confusão com falha. Gosto do conceito de equívoco que diz que é uma decisão, uma ação ou um julgamento que resulta em algo menor que o esperado com as informações que se tinha até aquele momento.

    Quando se trabalha com inovação para mercados pouco conhecidos é difícil prever os resultados. Se adotarmos os mesmos conceitos de sucesso para mercados conhecidos e produtos de inovação de sustentação podemos nos equivocar e abortar projetos de inovação que poderão alcançar o sucesso.

    Por essa razão é importante ter um processo de avaliação diferenciado para projetos inovadores, criando métricas diferentes das estabelecidas pela empresa. Um exemplo típico é a taxa de retorno de um investimento (ROI). Tentar aplicar o ROI para produtos inovadores pode levar a um equívoco, pois poderá não identificar outras oportunidades em novos mercados que possam ser exploradas.

    Algumas empresas criam operações desvinculadas da empresa estabelecida para lançar produtos inovadores, principalmente com tecnologia disruptiva. Existe a terceirização da inovação, empresas que são criadas para desenvolver inovações disruptivas com financiamento de capital de risco, que mais tarde são absorvidas pelas empresas estabelecidas. Alguns financiamentos de risco são realizados pelas empresas já estabelecidas.

    Para se aprender com os equívocos é necessário criar um ambiente diferenciado que reconheça as pessoas que tentam acertar e aprendem com seus equívocos. Para isso é necessário criar novos conceitos de avaliação de resultados.

    Veja a entrevista de Paul J. H. Schoemaker sobre o seu livro “Brilliant Mistake”.

  • Marissa Mayer, a mulher da Google.

    Essa reportagem sobre Marissa Mayer, Vice-presidente da Google, traz alguns pontos interessantes.

    Ela comenta que a tecnologia dos motores de busca para recuperação de informações ainda está na fase inicial, assim como a física em 1600 ou a biologia em 1800. A quantidade de informações cresce dramaticamente, em 1991 existiam 10 website, hoje existem 582 milhões. A formas de informação estão se multiplicando e a capacidade de pesquisa deve acompanhar as novas formas de mídia.

    O vídeo é a forma que mais cresce na Internet e os motores de pesquisa devem acompanhar esse tendência. A busca por voz, que não existia há alguns anos, agora representa quase 25%  em dispositivos Android. A partir de junho do ano passado, a Google recebe mais tráfego do Google Maps no celular do que no desktop.

    Um dos mais novos produtos da Google, lançado em novembro, traz a tecnologia de mapeamento para dentro de grandes varejistas e edifícios, incluindo o layout interno.

    Marissa comenta que gosta de trabalhar com pessoas inteligentes porque elas fazem você pensar em coisas mais difíceis. Seu desafio é trabalhar em assuntos que não está totalmente preparada, pois isso a motiva  e quando consegue finalizar e uma evidência que teve um grande avanço. Importante também, é trabalhar com pessoas que acreditam em você. Atualmente, Marissa Mayer é considerada uma das mulheres de negócios mais influentes do mundo.

    Assista a entrevista.

  • Inovação na Procter & Gamble

    Segundo A.G. Lafley, CEO da Procter & Gamble até 2010, implantar uma cultura de inovação é uma jornada. Ele e Ram Charan escreveram o livro “The Game-changer”. Um dos pontos que me chama a atenção no livro é a visão do líder de inovação. Os líderes precisam estar engajados no processo de inovação. Segundo ele, os líderes devem ser formados, ninguém nasce líder. Liderança em inovação é fazer escolhas. O CEO deve ter a capacidade de integrar as inovações em toda a empresa. O papel de um líder de inovação é inspirar as pessoas a desencadear sua criatividade e produtividade. Esse tipo de inspiração requer uma mescla de QI (Coeficiente de Inteligência) e o EQ (Coeficiente de Empatia). A empatia , ele escreve, tem extrema importância em uma comunidade de negócios. É necessário desenvolver a intuição para entender e apreciar as intenções das pessoas, seus sentimentos e suas motivações. As inovações devem ser moldadas por experiências diferentes das nossas. Por isso o feedback dos clientes sobre os produtos são vitais para a definição de novos e melhorias nos atuais. Nas sessões de feedback é importante os clientes manipularem, sentirem e experimentarem os produtos.

    Além da empatia, os líderes de inovação devem ser curiosos e céticos. Eles não podem ser ameaçados por excelência, mas devem ser reconhecidos e compensados pela busca da inovação. Um ponto importante é desenvolver métricas de avaliação qualitativas e não apenas quantitativas. Ou seja, as avaliações de desempenho devem considerar as iniciativas de inovação, porque o sucesso dessas iniciativas só poderão ser avaliadas em horizontes diferentes de tempo.

    Lafley comenta na entrevista para a Harvard Business Review que o processo de inovação deve ser simples, ter todas as pessoas engajadas, existir colaboração, estar aberto para o novo e existir conexões entre as pessoas. Para ele a definição de inovação hoje é diferente de 10 anos atrás. Antes a definição era centrada em tecnologia e produto. Hoje a definição é mais abrangente, envolvendo a experiência e a visão do consumidor. Mais ainda, inclui a marca do produto, suas funcionalidades, seu design, seus benefícios, seu modelo de negócio, sua cadeia de distribuição e seu custo.

    Veja a entrevista de A.G. Lafley para a Harvard Business Review.

  • Buscando o significado dos dados

    Mais de 80% dos dados de uma empresa não são estruturados. Isso engloba conversas telefônicas, mensagens de voz, e-mails, documentos eletrônicos, documentos em papel, imagens, páginas web, vídeo e centenas de outros formatos. Investem-se milhões de reais em sistemas para estruturar 20% dos dados e, muitas vezes, as decisões empresariais são tomadas apenas analisando os dados estruturados.

    Felizmente, as coisas estão mudando. As novas tecnologias de big data estão conseguindo capturar e converter os dados estruturados e não estruturados em informações úteis para as empresas. Baseado na análise de pentabytes de dados é possível identificar padrões e melhorar as tomadas de decisão.

    Dentro deste contexto, qual o perfil dos novos profissionais das empresas, incluindo os profissionais de TI. No modelo tradicional, os analistas de sistemas transformavam o mundo real em dados estruturados. No novo modelo, os analistas devem interpretar e buscar o significado dos dados para produzir informação útil para as empresas. O novo perfil de profissional deve ser criativo e flexível para perceber e entender o significado dos dados.

    A tecnologia de Big Data trará uma grande vantagem competitiva para as empresas que conseguirem dispor de grandes quantidades de dados para analisar, tecnologia e pessoal capacitado para entender o significado e padrões de dados. Essa tecnologia permite que os executivos vejam os fatos no para-brisa do carro e não mais pelo retrovisor.

    Big data é uma tecnologia revolucionária. Permitirá que as empresas criem novos produtos e aperfeiçoem os produtos atuais nos mercados que atuam. Por ser uma tecnologia nova e requerer grande poder computacional, gigantescos sistemas de armazenamento de dados e complexidade de uso, ela só está disponível para grandes empresas.

    As empresas que dominarem mais rapidamente essa tecnologia e enxergando a Internet como um grande repositório de dados, incluindo blogs e redes sociais, terá a oportunidade de descobrir padrões de comportamento em mercados onde não atuam. Com isso poderão desenvolver produtos e serviços para outros mercados desbancando as empresas já estabelecidas.

    Acredito que com o tempo essa tecnologia esteja acessível para outras empresas de menor porte com custos mais vantajosos. Entretanto, o grande desafio será preparar as pessoas para entender o significado dos dados, fazer as perguntas certas e tomar as decisões adequadas.

    Veja a entrevista com o Dr. Mike Lynch da Autonomy, empresa adquirida pela HP, que tem uma poderosa ferramenta de análise de dados estruturados e não estruturados.