Autor: Eduardo Fagundes

  • Inovação disruptiva

    Aprenda mais sobre inovação: [ vídeos ]

    As empresas devem ter estratégias para a inovação em diferentes níveis: produto; segmento que atua; novos mercados; e, da própria empresa. Existem dois tipos de inovação: sustentação (evolutivo e revolucionário); e, a disruptiva. Algumas pessoas associam a inovação com a tecnologia, porém muitas vezes a tecnologia é apenas um meio para a inovação. As inovações evolutivas e revolucionárias não afetam os mercados existentes. A inovação disruptiva cria um novo mercado, aplicando um conjunto diferente de valores que de alguma forma afetará os mercados existentes. O desafio é prever quando uma inovação disruptiva irá afetar o seu mercado consumidor.

    A inovação disruptiva (melhor do que o termo tecnologia disruptiva) gera uma perturbação no mercado. As inovações de sustentação são tipicamente baseadas em tecnologia, enquanto as disruptiva são baseadas na comercialização. Por exemplo, o automóvel era uma tecnologia revolucionária, mas não era uma inovação disruptiva, pois não afetou o mercado dos veículos puxados a cavalo, pois eram caros demais e de produção limitada. A inovação disruptiva foi o modelo de produção em massa de automóveis idealizada por Henry Ford  tornou os automóveis baratos e acessíveis às pessoas que tinham veículos puxados a cavalo.

    A inovação disruptiva, termo cunhado por Clayton Christensen, descreve um processo pelo qual um produto ou serviço começa por aplicações simples, na parte inferior de um mercado e, progressivamente, se move para “acima do mercado”, acabando por deslocar ou eliminar concorrentes estabelecidos.

    Uma inovação disruptiva permite que uma população totalmente nova de consumidores tenha acesso a um produto ou serviço que foi historicamente apenas acessível aos consumidores de alto poder aquisitivo e com muita habilidade para usá-los.

    As características das empresas disruptivas, pelo menos em seus estágios iniciais, podem incluir: reduzir as margens brutas; mercado alvo menor; e, produtos e serviços mais simples que podem não parecer tão atraente como as soluções existentes, quando comparados com indicadores de desempenho tradicionais. Porém, com o tempo os produtos ou serviços são aperfeiçoados e ganham novos mercados.

    As empresas já estabelecidas em determinados mercados tendem a inovar mais rápido do que a mudança de comportamento de seus clientes, produzindo produtos ou serviços caros demais e até inconvenientes para muitos clientes. Isso ocorre porque essas empresas estão apenas perseguindo a “inovação de sustentação”, tentando perpetuar o sucesso histórico de seus produtos. Entretanto, acabam deixando a porta aberta para novas empresas disruptiva.

    A ideia corrente é uma empresa é boa quando seus produtos superam, tecnologicamente, seus concorrentes. Christensen e seus colegas mostraram que essa ideia está errada. Eles mostraram que as boas empresas estão, geralmente, cientes das inovações, mas o seu ambiente de negócios não permite implantá-las, porque não são suficientemente rentáveis no início e o seu desenvolvimento perde recursos para as inovações sustentáveis.

    Christensen define uma inovação disruptiva como soluções tecnologicamente simples, usando componentes de prateleira em uma arquitetura de produto mais simples que os existentes. Os produtos têm menos recursos que os oferecidos aos clientes de mercados estabelecidos, embora muitos deles fossem raramente utilizados.  As inovações disruptivas oferecem um pacote diferente de atributos validos para mercados emergentes e sem importância nos mercados estabelecidos.

    A indústria de computadores sofreu várias ondas de inovação disruptiva. A primeira foi a substituição dos mainframes por minicomputadores. A segunda onda, a substituição dos minicomputadores por computadores pessoais. A terceira onda está começando com os tablets. Os sistemas operacionais também estão provocando novas perturbações no mercado. As tecnologias de virtualização e computação em nuvem (Cloud Computing) estão provocando mudanças no mercado, permitindo que várias aplicações somente disponíveis para grandes empresas possam ser utilizadas por pequenas e médias empresas.

    Assista a entrevista com Clayton Christensen para a Harvard Business.

  • A inovação é o principal motivo para a transformação de RH

    A área de recursos humanos deve criar contextos organizacionais para fomentar a criatividade e inovação dos funcionários, contratar certo e aperfeiçoar as pessoas para o crescimento e transformação dos negócios em linha com a estratégia da empresa.  Estamos vivendo uma época entusiasmante, marcada pela luta entre a sociedade executiva que morre e a sociedade criativa que se afirma, segundo Domenico de Masi.

    As barreiras organizacionais desencorajam o esforço de desafiar o obvio, criam resistência às mudanças, cultiva o medo do risco, alimentam as picuinhas burocráticas, provocam a falta de gratificação aos inovadores, inibem os gerentes capazes de desencavar e implementar ideias novas. Segundo Peter Ducker, a criatividade não anda escassa, o que acontece é que a maioria das organizações se esforça para acabar com ela.

    Dentro desse contexto, acredito que a principal motivação para a transformação das áreas de recursos humanos é a busca da criatividade e inovação nas empresas.

    David Ulrich, um dos mais renomados gurus de recursos humanos e liderança, expõe em seu livro “HR Transformation” que existem quatro fases para executar um plano de transformação: O motivo; o que esperar; como fazer; e, quem irá fazer. Segundo Ulrich, o processo de transformação deve ser integrado e amplo. Implementar apenas algumas “boas práticas” de negócios não é o suficiente para garantir a transformação. (veja o vídeo de David Ulrich sobre seu livro).

    Em minha opinião, o principal motivo para a transformação é a inovação para garantir que a empresa tenha entropia suficiente para criar novos cenários de negócios e a capacidade de executar a estratégia para atingir os objetivos empresariais no curto, médio e longo prazo.

    O resultado esperado são produtos e serviços inovadores de larga aceitação para os atuais clientes e capazes de atrair novos clientes de outros mercados, dentro de um clima organizacional propicio para a criatividade e inovação. Isso envolve atrair e reter os melhores talentos do mercado, ajudar a criar condições para escutar seus anseios e ideias e com critério e transparência executar as melhores propostas.

    A execução da estratégia de transformação é o maior desafio. Planejamento, disciplina, liderança e autoridade para remover os obstáculos culturais são os fatores críticos de sucesso. A alta direção da empresa deve oferecer apoio incondicional ao líder do processo. O esforço será recompensado com o surgimento de uma organização de alta performance.

    A pessoa que for indicada para executar o plano deve, em primeiro lugar, estar no mesmo nível hierárquico dos principais executivos da empresa. Isso irá evitará que outras prioridades prejudiquem o projeto. A pessoa escolhida deve ter forte liderança e influência na organização. Deve ter foco e capacidade acima da média para executar projetos desafiadores.

    A inovação é a chave para a sustentabilidade organizacional.

  • A crescente influência do Social-commerce

    Social-commerce envolve o uso de mídias sociais através da Internet para ajudar na compra e venda de produtos e serviços. É fato que a recomendação de amigos tem grande influência na decisão de compras. Através de ferramentas de colaboração, como fóruns de discussão, os usuários de redes sociais publicam comentários e pedem conselhos de pessoas de confiança para orientá-los nas compras. Algumas ferramentas permite fazer ranking de produtos onde os melhores classificados ganham poder sobre outros.

    Atualmente, as empresas não podem deixar de monitorar as redes sociais para acompanhar os comentários publicados sobre sua marca e reagir, imediatamente, em caso de comentários negativos.

    Uma manifestação de social-commerce é uma mania de adolescentes americanas que depois de um dia de compras fazem comentários dos produtos e serviços adquiridos e seus preços, conhecido como haul video ou video hauling. Raramente, esses vídeos fazem comentários negativos sobre as marcas. No final de 2010, quase 250 mil vídeos desse gênero tinha sido publicados no YouTube. Alguns vídeos atingem dezenas de milhões de visitas. Muitos adolescentes e adultos (principalmente mulheres) narram compras de cosméticos, acessórios e sapatos. Elizabeth “Blair” Fowler, através do seu canal no YouTube recebeu mais de 140 milhões de visitas até 2010.
    [ http://bit.ly/GVMRw1 ]

    A Heineken produziu uma divertida série de vídeos para o YouTube que recebeu milhares de visitas, mesmo daqueles que não apreciam cerveja participaram.
    [ http://bit.ly/HenIBY ]

    Uma iniciativa inédita na área de social-commerce foi o serviço da KLM, empresa área holandesa, que reúne amigos do Facebook e contatos no Linkedin em seus voos – KLM Meet & Seat [ http://bit.ly/Hes4cn ]. Outra iniciativa da KLM foi descobrir as preferências de alguns passageiros e oferecer um presente relacionado antes do embarque.

    As empresas estão descobrindo que podem se aproximar de seus consumidores através de ações de social-commerce e ganhar, gradativamente, vantagem competitiva. Um cuidado necessário é definir novas métricas para avaliar o resultado dessas campanhas de marketing. Não podemos utilizar as métricas “antigas” para negócios inovadores, pois corremos o risco de acabar com o negócio antes de conseguir os primeiros resultados positivos.

    Tamanho é o impacto do Facebook nas redes sociais que existem algumas referências de f-commerce, facebook-commerce, porém é mais serviço que oferece ferramentas de social-commerce. Entretanto, devido ao grande número de usuários passa a ter forte influência no mercado.

    Segue um vídeo resumido o Web Expo Fórum de 2012 com alguns depoimentos sobre social-commerce, incluindo minha participação.

  • Como executar um projeto de inovação

    Costumo dizer que existe um abismo entre uma boa ideia e sua comercialização. O sucesso de um produto inovador está na capacidade das pessoas de executar o projeto. O Prof. Vijay Govindarajan define criatividade como a ação de criar algo novo e inovação a capacidade de colocar em ação a ideia. Thomas Edison, dizia que em um processo de inovação é 1% inspiração e 99% transpiração. Para executar um projeto de inovação é necessário processo, disciplina e uma cultura organizacional que aceite a inovação.

    O Prof. Vijay recomenda a criação de uma organização separada do resto da empresa e a definição de novos critérios de desempenho para cada projeto de inovação. A inovação é no final do dia um experimento. Neste caso, os resultados não podem ser previstos com exatidão. Se colocarmos pessoas da organização antiga na nova corre-se o risco deles não aceitarem ou não entenderem os resultados de desempenho da nova operação e, simplesmente, abortarem o projeto. Isso traz um grande desafio para as empresas combinar os talentos e processos da velha e nova organização.

    Para a nova organização vencer é necessário contratar novos talentos do mercado com o objetivo de esquecer o passado. Entretanto, temos que considerar o empréstimo de certas expertises da antiga organização para criar sinergia. Para saber quais as expertises emprestar da antiga organização temos que testar as premissas do novo negócio ou produto. Um desafio adicional é gerenciar essa nova organização. Não devemos coloca-la subordinada a pessoas que gerenciam pessoas e processos da antiga organização. Isso sufocará a nova organização, pois ela terá que seguir os princípios da velha organização em que muitas vezes não se adaptam ao novo modelo proposto.

    Um exemplo interessante foi quando a uma grande montadora de automóveis nos Estados Unidos decidiu criar uma operação para desenvolver software em pleno auge de lançamento de empresas inovadoras. Os antigos recrutadores estavam tentando contratar jovens programadores que deveriam se transferir da região do Vale do Silício para a região industrial de Detroit. E ainda, trocar as condições de receber como pagamento ações das novas empresas por salários controlados por fortes estruturas organizacionais. O projeto não conseguiu atrair talentosos programadores. Interessante para que os recrutadores esse processo era totalmente normal, pois acreditavam que todas as pessoas tinham interesse em trabalhar na sua empresa. Isso mostra a importância de criar uma nova organização para atender as condições de um novo negócio.

    Outra questão é como minimizar os riscos de um projeto de inovação. Uma nova ideia não acontece do dia para a noite. Começam a existir sinais que apontam para o futuro. O que devemos fazer é amplificar esses sinais para testar seu poder de transformação. Para fazer isso temos que focar nas premissas dos produtos. Por exemplo, o quesito mobilidade do produto. Será que os consumidores ainda estão dispostos a adquirir computadores grandes e pesados sem conexão Internet de difícil transporte?

    Sugiro assistir a entrevista do Prof. Vijay Govindarajan que mostra algumas estratégias para uma perfeita execução.