Autor: Eduardo Fagundes

  • Você hospedaria sua aplicação de Cloud Computing fora do Brasil?

    O resultado pesquisa indicou que 61% não hospedariam suas aplicações fora do país e 39% o fariam. Uma das razões apresentadas é a latência da rede e o alto custo.

    Existem várias empresas internacionais que oferecem serviços de Cloud Computing com elevados SLAs e preços atraentes. Com um processo de contratação simples através de cartão de crédito internacional é fácil à contratação desses serviços independente de sua localização física. Uma opção interessante é a contratação por pequenos períodos para desenvolvimento e testes de novos sistemas. Esse tipo de aplicação não compromete a confiabilidade das informações e as normas internas de processamento de produção.

    Você se arriscaria a hospedar sua aplicação fora do Brasil?

  • Você se sente habilitado a decidir sobre Cloud Computing?

    Resultado da Enquete: as opiniões foram equilibradas. 46% afirmaram que se sentem habilitados a decidir sobre cloud computing e 54% afirmaram que não estão habilitados a decidir. Acredito que o resultado seja compatível com o estágio atual de adoção da tecnologia nas empresas.

    Acredito que exista uma confusão no mercado sobre o ambiente de computação em nuvem, o Cloud Computing. Algumas pessoas confundem o velho e tradicional modelo de hospedagem de servidor em um data center como uma solução de Cloud Computing. Esse modelo tradicional não reúne as características básicas de uma solução em nuvem.

    O Gartner Group uma das mais importantes consultorias de tecnologia define cloud computing como um estilo de computação que provê serviço escalável, elástico, padronizado, compartilhado entre vários clientes, pagos por demanda e acessados através da Internet.

    Dentro deste contexto, você se sente habilitado a decisão sobre a migração do seu ambiente atual de processamento para um serviço de Cloud Computing?

  • Framework de Sustentabilidade

    Esse artigo comenta sobre a necessidade de utilização de um framework para a gestão estratégica de iniciativas de sustentabilidade nas empresas. O tema sustentabilidade está na agenda de todas as empresas que possuem visão estratégica e que tomam ações hoje para assegurar sua continuidade, competitividade, lucratividade e reputação junto a clientes e fornecedores. Empresas líderes no mercado já tomaram ações concretas de adoção de práticas sustentáveis para os seus negócios, de forma voluntária ou para atender a legislação de ambiental. Como parte dessas iniciativas, os fornecedores estão sendo convidados a participar desse movimento. Num primeiro momento de forma de cooperação, porém em um futuro muito próximo será critério mandatório para processos de seleção de fornecedores. Seguindo os mesmos critérios que serão adotados pelos consumidores. Em outras palavras, programas de sustentabilidade não são uma opção, mas um item crítico e fundamental para as empresas.

    Para garantir que as estratégicas sejam executadas alinhadas com os objetivos empresariais é importante adotar um modelo de acompanhamento. Esse modelo (framework) deve simples, de fácil entendimento, que permita identificar pontos de melhoria e problemas para criar ações de contorno. Minha recomendação é a adoção de um framework de sustentabilidade que trate de três áreas estratégicas: Ambiental; Econômico e Governança; e, Social. Essas áreas estratégicas são avaliadas em três dimensões: Inventar; Gerenciar; e, Melhorar. (Veja a figura a seguir)

    O objetivo é definir oportunidades e soluções de longo prazo para os negócios. É fundamental trabalhar com os clientes e fornecedores no desenvolvimento de produtos e serviços inovadores baseados em ecodesign.

    As ações devem promover mudanças culturais e organizacionais para acompanhar as mudanças comportamentais da sociedade.

    Com mercados cada vez mais regulados e dependentes de licenciamentos ambientais para operar é importante integrar as soluções de sustentabilidade em todas às áreas de negócios da empresa. A pesquisa e desenvolvimento devem estar orientadas para a inovação e em produtos sustentavelmente eficazes, dentro do conceito de “desmaterialização”, ou seja, produtos uteis do ponto de vista do serviço que eles produzem.

    O trabalho com os fornecedores deve ser próximo para o desenvolvimento de materiais recicláveis e ecologicamente eficientes.

    As equipes de vendas devem trabalhar com os clientes para identificar e materializar soluções dentro do conceito de eficácia ecológica, procurando reduzir a pegada ecológica e a neutralização de carbono dos clientes.

    Os processos de gestão devem incluir diretrizes e normas, sistemas de gestão, objetivos de melhoria, treinamento e auditoria. Todos esses processos devem estar em linha com o modelo de governança ambiental adotado pela empresa, cobrindo as questões ambientais, sociais e econômicas.

    Um aspecto crítico para a sustentabilidade de longo prazo é a integridade ética da gestão. O código de conduta da empresa deve definir as exigências sobre os colaboradores (empregados, representantes de vendas, terceiros e fornecedores) para trabalharem com integridade e dispor de mecanismos que permitam aos colaboradores relatar qualquer violação de conduta.

    Os sistemas de gerenciamento de saúde, segurança e meio ambiente devem ser baseados em normas internas e internacionais. Aplicadas por técnicos treinados, os processos devem ser avaliados continuamente para identificar oportunidades de melhoria e serem robustos o suficiente para atender as questões de conformidade.

    O sistema de gestão e os processos devem controlar a segurança e o impacto ambiental dos produtos em todo o seu ciclo de vida, desde o desenvolvimento até o processo de descarte.

    Os sistemas de Recursos Humanos (RH) devem estar configurados para atender as necessidades da empresa e de seus funcionários nos locais onde operam, baseados em políticas e princípios de educação para o desenvolvimento e formação profissional, remuneração e benefícios.

    Todas essas questões devem estar contempladas no framework de sustentabilidade distribuídas pelas áreas estratégicas com iniciativas específicas nas dimensões de Inventar, Gerenciar e Melhorar.

  • Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis

    Desenvolver produtos sustentáveis é um objeto de desafio, um fator de competitividade das empresas no cenário globalizado e no desejo dos consumidores por produtos ecologicamente corretos. A essencialidade de um produto sustentável não é ser considerado um bem de consumo, mas ser reconhecido do ponto de vista do serviço que ele produz. Isso propõe o conceito de “desmaterialização”, como base do critério de desenvolvimento sustentável.

    Baseado nesse critério os produtos devem ser desenvolvidos dentro do conceito de ecodesign, associando ecologia e design. Entende-se ecodesign como a aptidão projetual que concebe os aspectos do projeto levando em conta o impacto ambiental. As questões ambientais tratam desde o tratamento da poluição, à interferência nos processos produtivos que geram a poluição e ao redesenho dos produtos.

    As discussões sobre sustentabilidade levam a uma reorientação dos comportamentos sociais, onde os consumidores passam a buscar produtos e serviços baseados no consumo limpo. O alinhamento dos produtos com os desejos dos consumidores leva ao desenvolvimento de produtos baseados em design para sustentabilidade (Design for sustainability, em inglês), que deve promover a capacidade do sistema produtivo de responder as expectativas sociais de bem-estar utilizando uma quantidade de recursos ambientais drasticamente inferiores aos níveis utilizados atualmente. O desenvolvimento dos produtos deve seguir uma metodologia que defina seu ciclo de vida – Life Cycle Design.

    Dentro dessa linha, os produtos devem ser desenvolvidos baseados nos seguintes critérios:

    • Utilização, preferencialmente, de recursos renováveis;
    • Otimização dos recursos não-renováveis;
    • Não geração de resíduos que o ecossistema não consiga neutralizar.

    O controle do impacto ambiental têm três variáveis fundamentais: a população, a procura do bem-estar humano e a ecoeficiência das tecnologias aplicadas. Considerando os crescimentos demográficos previstos e partindo da hipótese que a população dos países em desenvolvimento deve procurar o aumento do seu bem-estar, a questão da ecoeficiência passa a ser fundamental no desenvolvimento de produtos sustentáveis.

    Como se considera sustentáveis somente aqueles sistemas produtivos e de consumo cujo emprego de recursos ambientais por unidade de serviço prestado seja, pelo menos, 90% inferior ao atualmente aplicado nas sociedades industrialmente mais avançadas, o desafio de desenvolver produtos sustentáveis é enorme.

    Para que as atividades humanas possam continuar indefinidamente, sem perda da qualidade ambiental é necessário que a pegada ecológica tenda a zero. Isso significa que cada atividade de extração que leve o empobrecimento ambiental e que as atividades de descarte (reintrodução) que tendem a acumular substâncias com características e concentrações diversas das iniciais devam ser neutralizadas.

    A recomendação é buscar a máxima integração entre os processos biocompatíveis – os biociclos – e os processos de não-interferência (processos fechados em si) – tecnociclos.

    Concluindo, devemos desenvolver produtos eficazes com propostas de equilíbrio entre a dimensão técnica e a dimensão cultural da inovação. Propostas que discutam sobre “o que” poderia ser produzido e consumido? Nessa área prevalece à reflexão sobre o conceito de eficácia. O que é melhor fazer para aumentar o bem-estar enquanto reduzindo o consumo de recursos naturais?