Autor: Eduardo Fagundes

  • O Planejamento Socioambiental

    O velho jargão que definia a empresa como uma entidade que compra barato e vende caro não funciona mais. A nova abordagem define a empresa como uma organização que adiciona valor e cria riqueza. O planejamento estratégico deve prever as mudanças que ocorrem no comportamento dos consumidores e da sociedade de uma forma geral. Ignorar tendências tem custado muito caro para algumas empresas e embaraços em sua imagem institucional. Com essa nova abordagem a responsabilidade socioambiental deve ser contemplada no planejamento estratégico das empresas.

    A origem do conceito de responsabilidade socioambiental é resultado da insurgência de movimentos sociais (pacifistas, raciais, de direitos humanos e ambientalistas) que teve inicio no final da década de 60. A conscientização dos consumidores a partir desses movimentos sociais obrigou as empresas a adotarem novas práticas de produção e venda de seus produtos pautando-os dentro dos paradigmas de sustentabilidade e ética social.

    Se partirmos da premissa que não existe desenvolvimento sem prejudicar a natureza, devemos utilizar os recursos de forma responsável com uma boa gestão das mudanças que ocorrem na sociedade e abordar como o desenvolvimento econômico trará benefícios para as pessoas.

    Desta forma, a sustentabilidade pode ser definida como uma forma de criar valor para os acionistas a longo prazo gerenciando os riscos sociais, ambientais e econômicos. Ou seja, a sustentabilidade passa a ser um pré-requisito para o sucesso do negócio.

    As questões de sustentabilidade são tratadas por organizações em três setores: governo, empresas lucrativas e organizações sem fins lucrativos. O governo é responsável por, pelo menos, quatro áreas públicas: educação, segurança, saúde e infraestrutura. As empresas são responsáveis pela produção e processos de gestão empresarial. Entretanto, seu desempenho pode ser afetado pela ineficiência das áreas de responsabilidade do Estado, gerando custos externos insustentáveis que as tornam não-competitivas. As organizações sem fins lucrativos surgem com a missão de suprir as necessidades da população, principalmente, a de menor renda onde o Estado não atende plenamente as necessidades básicas. As ações realizadas pelo Estado, empresas e organizações sem fins lucrativos devem ser de longo prazo e com efetividade, ou seja, que os resultados sejam permanentes.

    Dentro do contexto de responsabilidade socioambiental, as empresas devem incluir no seu planejamento estratégico compromissos que envolvam desde a utilização de materiais que não agridam o meio ambiente até a preocupação com o ser humano, incluindo: valores e transparência; público interno; meio ambiente; fornecedores; consumidores; comunidade; e governo e sociedade.

  • A Logística de uma Loja Virtual

    Abrir uma loja virtual não é configurar um software disponível no provedor de Internet e cadastrar os produtos. Abrir uma loja virtual é montar uma sofisticada operação de logística. O backoffice de uma loja virtual é fator crítico do negócio: gestão de estoques, monitoração dos atendimentos, estado da mercadoria, embalagem, horários de entrega e políticas de trocas e devolução de mercadorias estão entre os assuntos que devem ser planejados.

    O custo da perda da credibilidade é fatal para uma loja virtual. Como a taxa de conversão em pedidos de venda do total das visitas é de apenas 1,3% é necessário um alto investimento em divulgação. Perder o negócio por falta de um backoffice eficiente está fora de cogitação.

    Entretanto, do total de pedidos a taxa de conversão em vendas é de 0,95% devido a vários fatores. Mas a maioria, cerca de 75% dos pedidos de vendas não são completados por problemas logísticos.

    Uma das formas de evitar problemas com os clientes e garantir a credibilidade da loja é oferecer apenas itens que estão no estoque. Entretanto, se a loja tem pouca oferta diminui o número de visitação e também implica no aumento do capital de giro. Por outro lado, se não entregar uma mercadoria no prazo perde o negócio e a credibilidade. A arte é equilibrar esses pontos.

    Existem várias soluções logísticas para controle de estoques e distribuição que podem ser adotadas, combinando estoques próprios e estoques dos distribuidores. Acordos comerciais forte e processos robustos devem ser estabelecidos para atender as expectativas dos clientes.

    Antes de pensar no website da sua loja virtual, pense na logística.

  • O ITIL e o Cloud Computing

    Muitas empresas estão investindo em processos de gestão de TI baseados em ITIL. O ITIL é um modelo de gestão para TI reconhecido internacionalmente. Algumas pessoas me perguntam se com a adoção de computação em nuvem – Cloud Computing – pelas empresas o ITIL ainda será importante e se devem continuar investindo.

    O que tenho a dizer é que o ITIL passa a ser mais importante em um ambiente Cloud Computing do que em serviços prestados internamente, pois as empresas estarão comprando um serviço de terceiros para substituir um serviço interno para áreas críticas de negócios. Desta forma, a gestão interna e o controle do serviço são vitais para a manutenção dos níveis de serviço (SLA) e o ITIL pode ajudar muito nessas questões.

    Entendo que deve existir um núcleo de pessoas da empresa que gerenciem os níveis de serviços e sejam responsáveis pelo contrato com as empresas de Cloud Computing. Esse é um serviço que não pode ser terceirizado. Se não você estaria quarterizando o serviço e isso ficaria mais distante do controle da empresa para garantir seus objetivos empresariais.

    O ITIL pode ajudar na definição da estratégia de serviços alinhado com os objetivos de negócios. Lembrando que Cloud Computing não é apenas uma inovação tecnológica, ela passa a ser uma estratégia de negócios da empresa.

    O ITIL também auxilia nas definições de objetivos e níveis de serviços oferecidos pela empresa de Cloud Computing. Essas definições são fundamentais para a contratação do serviço e servem de base para a elaboração da RFP (Request-for-Proposal).

    Para a transição das aplicações para o ambiente de Cloud Computing do fornecedor é importante definir processos e controles robustos para garantir a disponibilidade e integridade do serviço e ter o mínimo de interrupção na transição. O ITIL pode ajudar na definição de atividades e nos controles da mudança.

    A empresa precisa monitorar a privacidade do processamento e as informações, a segurança, a conformidade de acesso e a disponibilidade dos serviços. Todas essas disciplinas são atendidas por processos definidos pelo ITIL.

    Outro ponto importante é o processo de melhoria contínua que deve ser desenvolvido não apenas pela empresa de Cloud Computing mas pela empresa contratante do serviço. A análise de dados, monitoração do ambiente em paralelo, pesquisas com usuários, reuniões de planejamento conjuntas com os fornecedores do serviço são pontos importantes para a eficiência do serviço.

    É importante continuar os investimentos em ITIL nas empresas para consolidar seus processos de gestão de TI e criar uma mentalidade de serviços no pessoal interno.

  • Ecoeficiência

    Hoje é fator de sucesso para as empresas serem Ecoficentes.

    Ser ecoeficiente é entregar produtos e serviços, a preços competitivos, que satisfaçam as necessidades humanas e tragam qualidade de vida, reduzindo progressivamente o impacto ambiental e o consumo de recursos a um nível, no mínimo, equivalente à capacidade de sustentação estimada pela Terra.

    Ser ecoeficiente é saber equilibrar o desempenho econômico e ambiental. É saber utilizar racionalmente a matéria-prima e a energia. É saber reduzir os riscos de acidentes. É satisfazer os acionistas, clientes, fornecedores, governo, imprensa, etc.

    Ecoeficiência é um conjunto de ações multidisciplinares que envolve todos na empresa, incluindo fornecedores.

    Para se tornar ecoefiente é necessário mudar a cultura das pessoas e da gestão empresarial. Começa-se com pequenas atitudes. Quantos papeis você utiliza para enxugar aos mãos no banheiro? Porque usar mais de duas folhas? Começando a pensar sobre isso já é uma boa atitude.

    Porque continuar a utilizar monitores de tubo catódico se os monitores de LCD economizam muito mais energia e não são nocivos a saúde? A substituição de monitores é um investimento que se paga em poucos meses.

    Combater o desperdício é vital em uma empresa ecoeficiente. Porque não adotar no mínimo um programa de 5S? Um programa de Six-sigma?

    A maior parte das justificativas é a falta de tempo e que existem outras prioridades. Coloco em dúvida essas afirmações. Redução de custos, preços competitivos, lucro para os acionistas, sustentabilidade da empresa, fortalecimento da marca, expansão de mercado sempre são prioridades nas empresas e se consegue isso sendo ecoeficiente.